quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Múltiplas escolhas

Sou católica. Sobretudo, sou curiosa. Por isso, já frequentei centro espírita, reunião budista, vou à missa... A minha questão é de múltipla escolha. Dou as caras aqui, ali e vou trazendo um pouco de cada experiência. Das escolhas que fiz, o maior mico foi na umbanda.

Fui chamada por um amigo querido, o Arnaldo. Ele afirmou com tanta ênfase o valor de uma consulta com o Sete Trancas que eu deixei de lado o medo e aceitei o convite. O lugar era estranho e ainda tive que esperar bastante para ser atendida. Na hora da consulta, um conselho apenas e dito com braveza: “A moça tem que estudar”. Então tá...

Mas a experiência não acaba aí. Havia todo um ritual a que eu deveria assistir. Estranhei o cheiro, a movimentação, o aparato, não sabia o significado de nada e achei melhor sair. Fui para fora, me postei ao lado da porta, até que uma moça simpática veio me conduzir de volta. Segundo ela, a pior escolha era ficar ali.

Voltei e comecei a achar interessante o ritual. Moças vestidas de branco, dança, colares, cantoria, tambores... De repente, um alarido: “Odara baixou!”. E eu pensando: “Meu Deus, o que é isso?” Era homem e era Odara. Dançava, girava, recebia flores, champagne, bons tratos. Todos queriam uma rosa de Odara. Todos não. Encolhida no meu assento, não ousava olhar pra frente. Ela rodava e entregava rosas. Por fim, restou uma e um gole de champagne. Eu só queria saber por que aquela gente queria tanto a rosa. Pensava nisso, olhando para os lados. Eu não estava ali.

Mas – céus! – lá vinha ela. Não era possível. Para mim não, para mim não... Era. Recusei com o sorriso de quem recusa canapé em final da festa. “Ooooohhh”, foi a resposta da platéia. Arnaldo me salvou, dizendo para eu ficar com a rosa. Fiquei, mas recusei o champagne.

No final, esperei todos sairem e entreguei a rosa para uma moça de branco, pedindo que colocasse no altar. Pelo susto dela, percebi a heresia. Estava feito. A caminho de casa, fui informada que a rosa era um patuá poderoso. Tarde demais.

Dias depois, um amigo, vindo de Salvador, falava comigo quando, de repente, começou a falar mais grosso. Era ele, mas não era. Se é que vocês me entendem. Ele foi logo dizendo que eu não tinha de me meter com o que não conhecia. Finalizou: “A ignorância foi o seu pecado”. Recado dado. E mico bem-pago.