Digo que na minha casa há espaço de sobra para o novo entrar e que já posso sonhar. Aí, fico pensando: Com que sonha esta mulher? Resolvi responder para mim mesma e para o mundo.
Sonho com liberdade e todos que me conhecem sabem bem do que falo. É um sonho grande, que acalento todos os dias e noites. Eu, que sempre escolhir meus próprios caminhos, que me responsabilizei pelos meus passos, eu que sempre quis voar um pouco mais alto, não me contento com menos do que isso para todos os que amo. Então, que sejam livres, que todos sejam capazes de andar por aí e ir fazendo seu caminho, concretizando uma história mais bonita. Principalmente, a minha menina querida.
Sonho em ousar um pouco mais e mudar de área. Quero fazer dos cheiros, temperos, textos e experiências zen o meu modo de viver. Sobretudo, espero que o sucesso seja medido pela felicidade – minha, de quem está comigo e das pessoas que comprarem as ideias e produtos.
Sonho em andar mais leve. Não quero carregar mágoas, lembranças tristes, remorsos... Neste sonho, duas pessoas me inspiram. Dona Isabel, minha vizinha de 90 anos, e minha tia Ciza, com seus 89. Duas mulheres vividas, alegres e lindas. Quero viver esta inspiração, quero fazer o que gosto, dizer o que posso, rir com gosto, pintar os lábios com outras cores, vestir uma roupa florida, ouvir mais música e ler mais livros.
Sonho com uma casa no campo. A moça urbana agora quer roça. Cansei do asfalto e das conversas de boteco. Quero quietude para um ótimo recomeço.
E sonho com uma longa viagem com Sô Rogério.
É só. Por enquanto. Até o meu aniversário, a lista deve aumentar um tanto. E daí? Eu posso. Eu sonho.
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
A alma da casa
Corri, corri e, enfim, cheguei. Dezembro é o mês mais louco e mais sensacional do ano. Eu gosto da loucura de trabalho em excesso, confraternizações, luzes, compras, correria, conselhos para o fim de ano perfeito e um ótimo recomeço, votos de boas festas, mensagens para os amigos, viagem, festas. Mas, este ano, somei mais uma trabalheira aos meus rituais: limpei a casa para o novo.
Foi assim: recebi uma mensagem sobre o solstício de verão, que acontece no dia 21 de dezembro. A proposta era preparar a casa e, neste dia, celebrar a entrada do sol, a luz do recomeço. Confesso que quase desisto, porque era trabalho demais somado a outros tantos. Mas sou tão obstinada com as coisas que fazem bem à alma, que encarei o desafio.
Limpei todos os cantos, joguei fora papeladas antigas que amarelavam no desuso. Estou mudando, inovando a vida. Então, por que acumular tantos registros do passado? Bastava algumas peças para ilustrar a história. Guardei pouco, apenas o valioso de mim. A limpeza foi completa. Doei roupas, arrumei gavetas, inovei nos cantos e nos enfeites da casa. Depois viajei. Quando cheguei, abri a porta, respirei fundo e confesso que havia no ar um quê de leveza, mas também uma coisa meio parada. Faltava abrir as janelas? Talvez.
No dia seguinte, a faxineira completou a limpeza. Aí, circulei pela casa me sentindo a dona do pedaço e feliz com isso. Em cada cômodo, eu vi meus modos, escolhas e expectativas. Depois pensei: “Chegou a alma da casa!”. Claro, a casa sou eu e fico feliz de saber que, nas gavetas e prateleiras, há espaços de sobra para o novo entrar. Então, sim, eu posso sonhar.
Foi assim: recebi uma mensagem sobre o solstício de verão, que acontece no dia 21 de dezembro. A proposta era preparar a casa e, neste dia, celebrar a entrada do sol, a luz do recomeço. Confesso que quase desisto, porque era trabalho demais somado a outros tantos. Mas sou tão obstinada com as coisas que fazem bem à alma, que encarei o desafio.
Limpei todos os cantos, joguei fora papeladas antigas que amarelavam no desuso. Estou mudando, inovando a vida. Então, por que acumular tantos registros do passado? Bastava algumas peças para ilustrar a história. Guardei pouco, apenas o valioso de mim. A limpeza foi completa. Doei roupas, arrumei gavetas, inovei nos cantos e nos enfeites da casa. Depois viajei. Quando cheguei, abri a porta, respirei fundo e confesso que havia no ar um quê de leveza, mas também uma coisa meio parada. Faltava abrir as janelas? Talvez.
No dia seguinte, a faxineira completou a limpeza. Aí, circulei pela casa me sentindo a dona do pedaço e feliz com isso. Em cada cômodo, eu vi meus modos, escolhas e expectativas. Depois pensei: “Chegou a alma da casa!”. Claro, a casa sou eu e fico feliz de saber que, nas gavetas e prateleiras, há espaços de sobra para o novo entrar. Então, sim, eu posso sonhar.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Ouço uma voz...
Ouço os primeiros acordes. Em segundos, transporto-me para outro cenário. A música me leva a imaginar cores, texturas e movimentos indianos. Respiro fundo e me concentro. Apenas respiro e isso também me transporta. Agora, para o lado de dentro. Meditar é estar lá e cá...
De repente, uma voz se eleva. É ela. Venho de dentro pra fora com escala no Nordeste brasileiro. A magia se quebra. Tento me acostumar, mas oscilo entre relaxamento e riso.
Quase não acredito que comprei um CD para meditar e que a voz me faz dar gargalhadas. Alguém pode meditar ouvindo uma mulher com sotaque nordestino? Entendam-me bem: nada tenho contra o sotaque. Até gosto muito. É que pra ocasião não combina. Tinha de ser locutor profissional que, aliás, existem pra isso mesmo.
E quer saber? O trabalho é dos mais competentes que já vi. A técnica é muito boa, o layout da capa é muito bom, o encarte é de extremo bom gosto. Precisava pecar na locução? Tenha dó!
Será que um dia eu me acostumo?
De repente, uma voz se eleva. É ela. Venho de dentro pra fora com escala no Nordeste brasileiro. A magia se quebra. Tento me acostumar, mas oscilo entre relaxamento e riso.
Quase não acredito que comprei um CD para meditar e que a voz me faz dar gargalhadas. Alguém pode meditar ouvindo uma mulher com sotaque nordestino? Entendam-me bem: nada tenho contra o sotaque. Até gosto muito. É que pra ocasião não combina. Tinha de ser locutor profissional que, aliás, existem pra isso mesmo.
E quer saber? O trabalho é dos mais competentes que já vi. A técnica é muito boa, o layout da capa é muito bom, o encarte é de extremo bom gosto. Precisava pecar na locução? Tenha dó!
Será que um dia eu me acostumo?
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
Foi assim
Foi assim, um ano se passou e eu não vi. O miléssimo visitante veio aqui e eu não vi. Chego agora e vejo: 1015 visitantes. Claro, uns 100 acessos devo a mim mesma. Mas e o outros? Pra você que veio aqui e que eu não vi. Pra você que veio calar pra ver e eu mostrei, um pouquinho que seja. Pra você que veio só conferir. Pra você que vem sempre aqui e fala pra mim. Pra você que já passou e não conta pra ninguém. Pra todos vocês, muito, muito obrigada por compartilhar das minhas palavras. Estou aqui. Permaneço.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Olhar pra trás
Será que alguém consegue olhar os próprios rastros e não se arrepender de passos dados? Faço esta pergunta porque andei observando os meus passos pela vida e também das pessoas queridas, faço esta pergunta porque achei que ter um enorme desejo de fazer a coisa certa bastava, faço esta pergunta porque acreditei que saber o que se quer e andar nesta direção era o bastante, faço esta pergunta porque descobri que não.
Ainda bem que cabe outra pergunta: o que posso fazer agora?
É um alívo saber que a vida segue em frente. Sempre. O meu olhar para trás é válido apenas para acertar o curso da caminhada. No mais, como disse o rapaz a um encharcado Vinícius de Morais que andava com água até os joelhos: "Pra frente é que se anda!"
Se não vou ainda, é porque preciso achar um canto para me encostar e descansar. Se não vou ainda, é porque esperarei passar o mês de janeiro, porque inferno astral não é época para manobras radicais. Então, em fevereiro, tem carnaval e o meu passo será outro. Eu espero.
Segue abaixo trecho da crônica de Vinícius, que considero belíssima. Como certas palavras me ensinam caminhos...
Hino carioca
Na noite do dilúvio, tentando alcançar a pé minha casa, eu me senti bêbado e louco. Caía uma tromba-d'água do céu, e tão espessa que eu mal conseguia respirar. Minhas pernas venciam a custo a densidade da cheia, que me passava dos joelhos; mas eu prosseguia com raiva dos elementos desencandeados, com raiva da cidade passiva ante sua fúria. Caí e me levantei duas vezes imprecando nomes, desafiando o aguaceiro e sua mortalha de lama, querendo briga.
Seriam pelas quatro da manhã e eu me sentia menino e ao mesmo tempo o último herói do mundo. Era tudo vazio à minha volta, e eu não suspeitava a catástrofe que, naquele momento mesmo, se abatia sobre centenas de lares pobres nos morros, o pé-d'água varrendo casebres que se desfaziam caindo pelas encostas; gente a pedir socorro em plena queda; corpos esmagados de crianças e adultos a misturar seu sangue ao barro imundo. Eu seguia cheio de cólera e euforia, o olho atento aos remoinhos, aos movimentos suspeitos da água, ao chupo dos bueiros abertos, patinhando violentamente no lençol de chuva. Ao passar diante de uma garagem inundada, um velho crioulo guardador compreendeu minha luta e me animou:
- É para frente que se anda...
Eu sorri para ele e sua carapinha branca:
- Fique em paz, meu irmão.
E pus-me a cantar cantos de guerra. Quando alcancei meu edifício, brandi meu punho para o alto. Não, não vai ser nem o ressentimento dos covardes, que cria as ditaduras, nem a fúria dos elementos, que gera a calamidade, que irão impedir o homem de chegar ao seu destino - ai dele! - mesmo sabendo de antemão perdida a grande e fatal partida em que foi lançado. Porque o destino dos homens é a liberdade: liberdade para amar, para optar e para criar; liberdade pura e integral, com a dramática beleza dos elementos desencadeados a que se sucedem céus azuis cheios de luz. Liberdade para viver e para morrer, sem medo. Liberdade para cantar seu canto rouco diante da carne translúcida das auroras. Liberdade para desejar, para conquistar o que não lhe é permitido pela estupidez da convenções e pela reserva dos bem-pensantes. Liberdade para ganir sua solidão ante o Infinito. Liberdade para suar sua angústia no Horto da dúvida e do desespero, e subitamente explodir seu riso claro em pleno Cosmos:
- A terra é azul!
Esse é o grande destino do homem: remover os escombros criados pelo ódio e partir de novo, no vento da Liberdade, para a frente e para cima. Que venham os tiranos, que o prendam e torturem, que caiam do céu bolas de fogo - e ele levante-se, roto e ensangüentado, e com a força que lhe dá a Vida parte uma vez mais, em direção à Liberdade...
Ainda bem que cabe outra pergunta: o que posso fazer agora?
É um alívo saber que a vida segue em frente. Sempre. O meu olhar para trás é válido apenas para acertar o curso da caminhada. No mais, como disse o rapaz a um encharcado Vinícius de Morais que andava com água até os joelhos: "Pra frente é que se anda!"
Se não vou ainda, é porque preciso achar um canto para me encostar e descansar. Se não vou ainda, é porque esperarei passar o mês de janeiro, porque inferno astral não é época para manobras radicais. Então, em fevereiro, tem carnaval e o meu passo será outro. Eu espero.
Segue abaixo trecho da crônica de Vinícius, que considero belíssima. Como certas palavras me ensinam caminhos...
Hino carioca
Na noite do dilúvio, tentando alcançar a pé minha casa, eu me senti bêbado e louco. Caía uma tromba-d'água do céu, e tão espessa que eu mal conseguia respirar. Minhas pernas venciam a custo a densidade da cheia, que me passava dos joelhos; mas eu prosseguia com raiva dos elementos desencandeados, com raiva da cidade passiva ante sua fúria. Caí e me levantei duas vezes imprecando nomes, desafiando o aguaceiro e sua mortalha de lama, querendo briga.
Seriam pelas quatro da manhã e eu me sentia menino e ao mesmo tempo o último herói do mundo. Era tudo vazio à minha volta, e eu não suspeitava a catástrofe que, naquele momento mesmo, se abatia sobre centenas de lares pobres nos morros, o pé-d'água varrendo casebres que se desfaziam caindo pelas encostas; gente a pedir socorro em plena queda; corpos esmagados de crianças e adultos a misturar seu sangue ao barro imundo. Eu seguia cheio de cólera e euforia, o olho atento aos remoinhos, aos movimentos suspeitos da água, ao chupo dos bueiros abertos, patinhando violentamente no lençol de chuva. Ao passar diante de uma garagem inundada, um velho crioulo guardador compreendeu minha luta e me animou:
- É para frente que se anda...
Eu sorri para ele e sua carapinha branca:
- Fique em paz, meu irmão.
E pus-me a cantar cantos de guerra. Quando alcancei meu edifício, brandi meu punho para o alto. Não, não vai ser nem o ressentimento dos covardes, que cria as ditaduras, nem a fúria dos elementos, que gera a calamidade, que irão impedir o homem de chegar ao seu destino - ai dele! - mesmo sabendo de antemão perdida a grande e fatal partida em que foi lançado. Porque o destino dos homens é a liberdade: liberdade para amar, para optar e para criar; liberdade pura e integral, com a dramática beleza dos elementos desencadeados a que se sucedem céus azuis cheios de luz. Liberdade para viver e para morrer, sem medo. Liberdade para cantar seu canto rouco diante da carne translúcida das auroras. Liberdade para desejar, para conquistar o que não lhe é permitido pela estupidez da convenções e pela reserva dos bem-pensantes. Liberdade para ganir sua solidão ante o Infinito. Liberdade para suar sua angústia no Horto da dúvida e do desespero, e subitamente explodir seu riso claro em pleno Cosmos:
- A terra é azul!
Esse é o grande destino do homem: remover os escombros criados pelo ódio e partir de novo, no vento da Liberdade, para a frente e para cima. Que venham os tiranos, que o prendam e torturem, que caiam do céu bolas de fogo - e ele levante-se, roto e ensangüentado, e com a força que lhe dá a Vida parte uma vez mais, em direção à Liberdade...
domingo, 21 de novembro de 2010
Um pouco do que aprendi
Uma vez, li um texto, desses que recebo por e-mail e cujos autores são tão duvidosos quanto a aplicabilidade das palavras à vida. Era um texto sobre o valor da experiência. Até havia algum sentido. Mas o que deixava dúvidas era a minha capacidade de abosorver e atuar de forma consciente. Quem é que consegue? Como é que a gente recebe um conselho, digere e coloca em prática? Como é que se planta uma semente na consciência? E quando é que ela brota?
Hoje, passado algum tempo, percebo que a digestão faz-se pela repetição, que a semente é plantada pela percepção e que ela brota pela força do desejo. Palavras só transformam quando são legitimadas pelo nosso querer.
O texto em questão falava das coisas que um dia a gente aprende. Era grande, quase duas laudas descrevendo aquilo que um dia a experiência me ensinaria. Considerando o tamanho, era se de esperar que muito do que estava escrito não me tocasse. De fato, pouco ficou. Mas esse pouco fixou-se e parece ressurgir das vísceras quando mais preciso.
Eis aí:
- Um dia a gente aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes, você tem que perdoar a si mesmo.
- Um dia a gente aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não pode mais.
Não dá pra dizer o quanto já andei depois de achar que não aguentaria mais. Se essas palavras couberem no seu coração, siga em frente!
Hoje, passado algum tempo, percebo que a digestão faz-se pela repetição, que a semente é plantada pela percepção e que ela brota pela força do desejo. Palavras só transformam quando são legitimadas pelo nosso querer.
O texto em questão falava das coisas que um dia a gente aprende. Era grande, quase duas laudas descrevendo aquilo que um dia a experiência me ensinaria. Considerando o tamanho, era se de esperar que muito do que estava escrito não me tocasse. De fato, pouco ficou. Mas esse pouco fixou-se e parece ressurgir das vísceras quando mais preciso.
Eis aí:
- Um dia a gente aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém. Algumas vezes, você tem que perdoar a si mesmo.
- Um dia a gente aprende que realmente pode suportar, que realmente é forte e que pode ir muito mais longe depois de pensar que não pode mais.
Não dá pra dizer o quanto já andei depois de achar que não aguentaria mais. Se essas palavras couberem no seu coração, siga em frente!
quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Aliviando a carga
Recebi hoje e achei digno de postar aqui. Por quê? Porque eu preciso ler, reler, viver e aprender.
“Dois monges estavam atravessando um rio, quando encontraram uma mulher que também desejava atravessá-lo, mas estava com muito medo. Um deles resolveu carregá-la até a outra Margem. O outro ficou indignado, porque a regra era nunca tocar no corpo de uma mulher. Porém, não disse nada.
Horas depois da travessia, quase chegando ao mosteiro, o monge contrariado, finalmente disse:
– Olha, terei de falar ao mestre sobre seu comportamento proibido.
– Do que você esta falando?
– Ora, do seu comportamento. Esqueceu-se de que tocou naquela mulher e a carregou nos braços?
O primeiro monge riu e calmamente replicou:
- Sim, eu a carreguei. Mas a deixei lá, na outra margem, a muitos quilômetros atrás. Você, ao contrário, a está carregando até aqui.”
“Dois monges estavam atravessando um rio, quando encontraram uma mulher que também desejava atravessá-lo, mas estava com muito medo. Um deles resolveu carregá-la até a outra Margem. O outro ficou indignado, porque a regra era nunca tocar no corpo de uma mulher. Porém, não disse nada.
Horas depois da travessia, quase chegando ao mosteiro, o monge contrariado, finalmente disse:
– Olha, terei de falar ao mestre sobre seu comportamento proibido.
– Do que você esta falando?
– Ora, do seu comportamento. Esqueceu-se de que tocou naquela mulher e a carregou nos braços?
O primeiro monge riu e calmamente replicou:
- Sim, eu a carreguei. Mas a deixei lá, na outra margem, a muitos quilômetros atrás. Você, ao contrário, a está carregando até aqui.”
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Questão de estratégia
18:00 horas. Horário do rush. Estávamos numa avenida congestionada com a intenção de pegar um táxi. Não demorou muito. Entramos e pedimos desculpas, porque o trajeto seria curto. Meio quarteirão depois, uma curva à direita nos leva ao pé da ladeira. O carro encarou a subida com a garra que nos faltou. A estratégia era esta: pegar um táxi para subir os dois quarteirões que desafiariam o nosso fôlego. Ocorre que os ganhos foram outros e deu vontade de esticar a viagem.
Pra começo de conversa, o motorista disse que não se importava com a corrida curta. Emendou que a única coisa que o incomoda é conversa desrespeitosa, temas contrários aos seus valores. Fazia sentido. Contou que tem um amigo maravilhoso, que vive de bem com a vida. Quando os outros têm de encarar uma barra pesada, ele diz: "Vai, é estratégia de Deus". Eu e minha amiga rimos e demos corda para o assunto.
A carro subia lentamente e ele citava exemplos de como os desafios podem ser mesmo uma estratégia de Deus. Entendi a frase como um outro modo de colocar otimismo na vida. Vale a pena pensar que, por trás de dores, sofrimentos e frustrações, existe algo maior se concretizando. Besteira? Ora, aquele homem já aprendeu que besteira é lutar contra os fatos. Não vivo rindo à toa, mas confesso que não aguento gente que reclama e se lastima a toda hora. Isso é, no mínimo, chato. Eu não aguento. Ou será aguento? É só pensar: "É uma estratégia de Deus.
Pra começo de conversa, o motorista disse que não se importava com a corrida curta. Emendou que a única coisa que o incomoda é conversa desrespeitosa, temas contrários aos seus valores. Fazia sentido. Contou que tem um amigo maravilhoso, que vive de bem com a vida. Quando os outros têm de encarar uma barra pesada, ele diz: "Vai, é estratégia de Deus". Eu e minha amiga rimos e demos corda para o assunto.
A carro subia lentamente e ele citava exemplos de como os desafios podem ser mesmo uma estratégia de Deus. Entendi a frase como um outro modo de colocar otimismo na vida. Vale a pena pensar que, por trás de dores, sofrimentos e frustrações, existe algo maior se concretizando. Besteira? Ora, aquele homem já aprendeu que besteira é lutar contra os fatos. Não vivo rindo à toa, mas confesso que não aguento gente que reclama e se lastima a toda hora. Isso é, no mínimo, chato. Eu não aguento. Ou será aguento? É só pensar: "É uma estratégia de Deus.
sábado, 30 de outubro de 2010
A estrela da festa
Um dia a gente descobre que mudou. E isso é bom. Ontem, eu descobri uma mudança fundamental no meu jeito de ser: Estou ouvindo meu querer, estou cuidando mais de mim. Isso é gratificante. Foram anos carregando ressentimentos, culpas e tristezas, porque colocava o querer dos outros acima do meu, porque esperava reconhecimento que não vinha e porque não tinha graça me tratar tão mal assim.
O processo foi lento. Vem de muito tempo. Talvez tenha começado quando alguém muito especial me deu uma história para ler. Era uma história sobre cair no buraco, colocar a responsabilidade disso nos outros e lutar muito para sair. Cair de novo e sair mais rápido, ainda enraivecida porque os outros foram os responsáveis. Cair novamente e sair rapidamente, sabendo que a responsabilidade é de quem cai. Os próximos capítulos eram: desviar do buraco e, por fim, mudar de rua. Ontem, eu descobri que mudei de rua. Que alívio!
Ouvi uma pessoa muito próxima dizer: “É foda relacionar com estrela.” A estrela era eu. E ouvi isso porque afirmei: “Vou ficar onde estou, porque este é o lugar que me agrada agora.” A frase soou tão nova, tão forte, tão amorosa e eu fiquei tão calma, tão mansa, tão tranquilamente feliz. Então, se isso é ser estrela, vou dizer: Sim, eu sou a estrela da minha festa, quando a festa é a minha vida.
O processo foi lento. Vem de muito tempo. Talvez tenha começado quando alguém muito especial me deu uma história para ler. Era uma história sobre cair no buraco, colocar a responsabilidade disso nos outros e lutar muito para sair. Cair de novo e sair mais rápido, ainda enraivecida porque os outros foram os responsáveis. Cair novamente e sair rapidamente, sabendo que a responsabilidade é de quem cai. Os próximos capítulos eram: desviar do buraco e, por fim, mudar de rua. Ontem, eu descobri que mudei de rua. Que alívio!
Ouvi uma pessoa muito próxima dizer: “É foda relacionar com estrela.” A estrela era eu. E ouvi isso porque afirmei: “Vou ficar onde estou, porque este é o lugar que me agrada agora.” A frase soou tão nova, tão forte, tão amorosa e eu fiquei tão calma, tão mansa, tão tranquilamente feliz. Então, se isso é ser estrela, vou dizer: Sim, eu sou a estrela da minha festa, quando a festa é a minha vida.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Perseguindo um milagre
A menina tinha uns oito anos e era muito católica. Não, não era religiosa, era católica mesmo, assim, como a ensinaram. Foi por isso que, num domingo em que todos se divertiam vendo Silvio Santos na TV, ela se rebelou e foi à missa. Sozinha. Quando saiu, ninguém notou que havia algo diferente em seu semblante. Ela estava descobrindo o sentido da palavra determinação. Sem saber como nomear aquilo, dirigiu-se para a igreja mais distante, que era a sua preferida. Porque era alta, era grande, era velha, geralmente estava cheia de flores – sobras dos casamentos – e tinha um cheiro de fé.
Mas aquela igreja tinha um inconveniente: era longe. A determinação, que ela não sabia que tinha, mas que ia descobrir que sim, dizia: siga. E lá ia a menina. Andava e olhava para os lados, tentava memorizar os canteiros, as casas, as placas... Seguia olhando tudo, porque não queria ter problemas no caminho na volta. Que esperta!
Chegou, prestou atenção em todos os detalhes e em metade da missa. O restante do tempo, pensava alarmada em como haveria de encontrar o caminho no escuro. Era noite lá fora. Como foi se esquecer desse detalhe? Comungou, para não ser castigada, rezou como lhe falaram para rezar, acrescentou mais um Pai-Nosso para ajudar e saiu antes da benção final.
E se perdeu. Voltar para a porta da igreja era fácil, bastava ir na direção da torre. Difícil era encontrar o rumo de casa. As pessoas já iam se dispersando e o pânico tomando conta. Então, teve uma ideia: seguir dois rapazes que pareciam saber muito bem para onde iam e, para tranquilizar, tinham um ar muito amigável. Eles andavam e ela andava. Eles paravam, ela parava. Atravessou avenidas, passou por trilhos, praças, até pela rodoviária. E pensava determinada: "Eles vão para algum lugar. Eu também vou. Perdida eu não fico."
Ficou. Os rapazes entraram numa casa. O que fazer? Começou a chorar. A dona da casa veio ver o que se passava. "Estou perdida" – respondeu. Vindo de dentro, os rapazes pararam para ouvir e um deles disse: "Viu, ela estava mesmo seguindo a gente."
Depois de todos "Onde você mora", "eles vão te levar" e não sei mais o quê, ofereceram bolo. Assim, a seco. A menina perdia o rumo, mas não perdia o apetite. Por isso, engoliu um bom pedaço, entalou e foi socorrida com um copo d'água.
A caminho de casa, descobriu que um dos rapazes era colega da sua irmã mais velha. Oh, tragédia! Saiu correndo na frente, tentou despistar os heróis da noite, mas de nada adiantou. Eles também eram determinados. E foi assim que ela teve de aguentar, por anos, a ira da irmã, que morria de vergonha da caçula tola. E ainda por cima católica!
A menina que perseguia um milagre era eu. Eu que queria chegar em casa e que cheguei. Hoje, eu posso fazer mil analogias, dizer que seguir o caminho dos outros nunca me leva para casa; dizer que não importa as voltas, a gente sempre chega; dizer que o caminho dos outros não serve para mim... Mas o legal mesmo que eu aprendi foi a coragem de fazer o que eu quero e arcar com as consequências. Bem zen.
Mas aquela igreja tinha um inconveniente: era longe. A determinação, que ela não sabia que tinha, mas que ia descobrir que sim, dizia: siga. E lá ia a menina. Andava e olhava para os lados, tentava memorizar os canteiros, as casas, as placas... Seguia olhando tudo, porque não queria ter problemas no caminho na volta. Que esperta!
Chegou, prestou atenção em todos os detalhes e em metade da missa. O restante do tempo, pensava alarmada em como haveria de encontrar o caminho no escuro. Era noite lá fora. Como foi se esquecer desse detalhe? Comungou, para não ser castigada, rezou como lhe falaram para rezar, acrescentou mais um Pai-Nosso para ajudar e saiu antes da benção final.
E se perdeu. Voltar para a porta da igreja era fácil, bastava ir na direção da torre. Difícil era encontrar o rumo de casa. As pessoas já iam se dispersando e o pânico tomando conta. Então, teve uma ideia: seguir dois rapazes que pareciam saber muito bem para onde iam e, para tranquilizar, tinham um ar muito amigável. Eles andavam e ela andava. Eles paravam, ela parava. Atravessou avenidas, passou por trilhos, praças, até pela rodoviária. E pensava determinada: "Eles vão para algum lugar. Eu também vou. Perdida eu não fico."
Ficou. Os rapazes entraram numa casa. O que fazer? Começou a chorar. A dona da casa veio ver o que se passava. "Estou perdida" – respondeu. Vindo de dentro, os rapazes pararam para ouvir e um deles disse: "Viu, ela estava mesmo seguindo a gente."
Depois de todos "Onde você mora", "eles vão te levar" e não sei mais o quê, ofereceram bolo. Assim, a seco. A menina perdia o rumo, mas não perdia o apetite. Por isso, engoliu um bom pedaço, entalou e foi socorrida com um copo d'água.
A caminho de casa, descobriu que um dos rapazes era colega da sua irmã mais velha. Oh, tragédia! Saiu correndo na frente, tentou despistar os heróis da noite, mas de nada adiantou. Eles também eram determinados. E foi assim que ela teve de aguentar, por anos, a ira da irmã, que morria de vergonha da caçula tola. E ainda por cima católica!
A menina que perseguia um milagre era eu. Eu que queria chegar em casa e que cheguei. Hoje, eu posso fazer mil analogias, dizer que seguir o caminho dos outros nunca me leva para casa; dizer que não importa as voltas, a gente sempre chega; dizer que o caminho dos outros não serve para mim... Mas o legal mesmo que eu aprendi foi a coragem de fazer o que eu quero e arcar com as consequências. Bem zen.
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Que graça tem?
Que graça tem escolher a roupa que vai vestir ao mesmo tempo em que escova os dentes? Que graça tem tomar banho pensando na frase certa para o trabalho com prazo apertado? Que graça tem coar café, lavar a louça e molhar as plantas simultaneamente? Que graça tem tomar café em pé e sair correndo? Que graça tem levar o livro para ler enquanto caminha? Que graça tem encontrar com as amigas, tecer apenas uma flor e com pressa? Que graça tem ficar pensando no computador que ficou ligado, esperando para o trabalho até altas horas? Ora, que graça tem isso?
Antes de ficar com muita peninha de mim, respondo: muita graça!
Não é assim a minha vida. É uma questão de momento. Haverá sempre dias de paz, dias de calma, de banho demorado, meditação, café sem pressa, um livro inteiro curtido na cama. Sempre há dias de trabalho bem pensado, pesquisado, prazeroso e dias de encontros demorados. Vivendo pressão e pressa nos últimos meses, estou admirada com a minha capacidade de responder à vida com flexibilidade. E quanta! Estico-me daqui e dali para dar conta do recado. Ótimo, depois eu me satisfaço com a glória de ter feito tudo pra dar certo.
Ficar reclamando? Ora, tem graça!...
Antes de ficar com muita peninha de mim, respondo: muita graça!
Não é assim a minha vida. É uma questão de momento. Haverá sempre dias de paz, dias de calma, de banho demorado, meditação, café sem pressa, um livro inteiro curtido na cama. Sempre há dias de trabalho bem pensado, pesquisado, prazeroso e dias de encontros demorados. Vivendo pressão e pressa nos últimos meses, estou admirada com a minha capacidade de responder à vida com flexibilidade. E quanta! Estico-me daqui e dali para dar conta do recado. Ótimo, depois eu me satisfaço com a glória de ter feito tudo pra dar certo.
Ficar reclamando? Ora, tem graça!...
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
O inferno que assombra
No altar, o padre levantava a hóstia e dizia: “Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.” E os fiéis respondiam: “Senhor eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma palavra e serei salvo”. A criança que eu fui encolhia-se de medo. Por não entender o que todos diziam, repetia: “Senhor, eu não sou digna de que entreis em minha morada, mas direi uma só palavra e serei salva.” Direi uma palavra e serei salva era o que atormentava. Que palavra? Não sabia e, por pensar que tinha obrigação de saber, não ousava confessar a ignorância.
Assim, a tortura se repetia todos os domingos. Havia sempre aquela hora em que os sininhos ecoavam do lado de fora e o silêncio sem resposta do lado de dentro. Aos oito anos, eu acreditava que não seria salva.
Um dia, perguntei a uma das minhas irmãs que palavra eu deveria dizer para ser salva. Ela não entendeu. Então, com impaciência típica de irmã mais velha, disse: “Amém”. Achei simples demais. Não, a palavra não podia ser aquela. Continuei carregando minha dúvida e, talvez, alguma culpa. Depois esqueci.
Alguns anos se passaram e foi lendo a bíblia que a minha dúvida deu lugar a uma nova pergunta: "Como assim, tantos anos com pavor do inferno e não era nada disso?"
Recentemente, fui a uma missa de sétimo dia e quando o padre levantou a hóstia e repetiu o ritual, não consegui segurar o riso. É hilário como o inferno da ignorância é capaz de assombrar.
A quem possa interessar:
A resposta estava em Mateus (8,5-13), passagem em que um centurião vai ao encontro de Jesus e diz: “Senhor, tenho em casa um criado com paralisia, sofrendo terrivelmente”. Jesus responde: “Eu vou lá curá-lo”. O centurião argumenta: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa, mas dizei uma só palavra e meu servo ficará curado”. Então, Jesus conclui: “Vai e faça-se como crês”. Naquela mesma hora, o servo foi curado.
Assim, a tortura se repetia todos os domingos. Havia sempre aquela hora em que os sininhos ecoavam do lado de fora e o silêncio sem resposta do lado de dentro. Aos oito anos, eu acreditava que não seria salva.
Um dia, perguntei a uma das minhas irmãs que palavra eu deveria dizer para ser salva. Ela não entendeu. Então, com impaciência típica de irmã mais velha, disse: “Amém”. Achei simples demais. Não, a palavra não podia ser aquela. Continuei carregando minha dúvida e, talvez, alguma culpa. Depois esqueci.
Alguns anos se passaram e foi lendo a bíblia que a minha dúvida deu lugar a uma nova pergunta: "Como assim, tantos anos com pavor do inferno e não era nada disso?"
Recentemente, fui a uma missa de sétimo dia e quando o padre levantou a hóstia e repetiu o ritual, não consegui segurar o riso. É hilário como o inferno da ignorância é capaz de assombrar.
A quem possa interessar:
A resposta estava em Mateus (8,5-13), passagem em que um centurião vai ao encontro de Jesus e diz: “Senhor, tenho em casa um criado com paralisia, sofrendo terrivelmente”. Jesus responde: “Eu vou lá curá-lo”. O centurião argumenta: “Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha casa, mas dizei uma só palavra e meu servo ficará curado”. Então, Jesus conclui: “Vai e faça-se como crês”. Naquela mesma hora, o servo foi curado.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Sob o signo da vontade
Parece que a moça também andou lendo por aí, parece que foi longe buscar inspiração para redigir as previsões do dia. Passou por páginas de Rajneesh ou Osho, seguiu pelos Bons Fluidos e Magia Zen... Quem sabe?
Mas o conselho veio de graça e, como diria a minha avó, não custa nada "assuntar". Alto é o investimento para fazer dar certo. Então, cai no vazio do leio e esqueço.
Será que alguma vez eu leio e levo o conselho para o âmbito da intenção sincera? Só se for em dia de solo fértil. Aí, pode até dar bons frutos.
Voltando ao conselho, postado nas páginas do horóscopo, ficou parecendo tão fácil!
"Quando nos sentimos vitimas de alguém, é bom lembrar que, em geral, somos nós que permitimos tal situação. É tempo de se responsabilizar pelas suas escolhas, para que possa encontrar o seu próprio caminho."
Ser vítima de alguém é estar sob o signo do medo. Isso vale para o zodíaco inteiro. O que serve de consolo para os aquarianos eleitos.
Então, resolvi pensar. Já perdi as contas das prisões em que me meti e que tive de suar para sair. Não fui vítima direta de ninguém, fui vítima do meu medo de ver alguém sofrer, de não agradar, de errar. Mas hoje ensaio passos por caminhos mais livres, mais meus. Não danço porque todo mundo acha que eu devia dançar; Não rio de piada boba; não telefono por obrigação... Ai, que mentira! Ainda ligo sem querer, seguindo pelo caminho do velho esforço de agradar. Mas quero meu carinho sem hora marcada.
Quero viver sob o signo da vontade.
E você, quer conferir o seu conselho do dia? Leia aqui.
Mas o conselho veio de graça e, como diria a minha avó, não custa nada "assuntar". Alto é o investimento para fazer dar certo. Então, cai no vazio do leio e esqueço.
Será que alguma vez eu leio e levo o conselho para o âmbito da intenção sincera? Só se for em dia de solo fértil. Aí, pode até dar bons frutos.
Voltando ao conselho, postado nas páginas do horóscopo, ficou parecendo tão fácil!
"Quando nos sentimos vitimas de alguém, é bom lembrar que, em geral, somos nós que permitimos tal situação. É tempo de se responsabilizar pelas suas escolhas, para que possa encontrar o seu próprio caminho."
Ser vítima de alguém é estar sob o signo do medo. Isso vale para o zodíaco inteiro. O que serve de consolo para os aquarianos eleitos.
Então, resolvi pensar. Já perdi as contas das prisões em que me meti e que tive de suar para sair. Não fui vítima direta de ninguém, fui vítima do meu medo de ver alguém sofrer, de não agradar, de errar. Mas hoje ensaio passos por caminhos mais livres, mais meus. Não danço porque todo mundo acha que eu devia dançar; Não rio de piada boba; não telefono por obrigação... Ai, que mentira! Ainda ligo sem querer, seguindo pelo caminho do velho esforço de agradar. Mas quero meu carinho sem hora marcada.
Quero viver sob o signo da vontade.
E você, quer conferir o seu conselho do dia? Leia aqui.
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Deu branco
Conheci um rapaz que se vestia de branco todas as sextas-feiras. Segundo ele, era para homenagear Oxalá, uma forma de pedir paz e agradecer as bençãos recebidas. Mas por que estou falando disso? Porque deu branco.
Nessa sexta-feira, durante minha caminhada, vi um pequeno ipê carregado de flores brancas. Não havia nenhuma modéstia ou inocência na imagem. Era puro espetáculo, sedução escandalosa. Parei para ver e – dá até vergonha de dizer – chorei diante do belo.
Não foi bem assim: cho-rei. Foram apenas duas lágrimas de emoção incontida.
Depois eu fiquei tranquila... E a minha sedução vestiu-se de vermelho e roxo.
Nessa sexta-feira, durante minha caminhada, vi um pequeno ipê carregado de flores brancas. Não havia nenhuma modéstia ou inocência na imagem. Era puro espetáculo, sedução escandalosa. Parei para ver e – dá até vergonha de dizer – chorei diante do belo.
Não foi bem assim: cho-rei. Foram apenas duas lágrimas de emoção incontida.
Depois eu fiquei tranquila... E a minha sedução vestiu-se de vermelho e roxo.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Quando nada vale tudo
Feriado. O que fazer num dia desses? Ler? Adiantar o trabalho? Navegar por sites nunca antes navegados? Passear? Meditar? Arrumar os livros? A lista era imensa e, antes mesmo de sair da cama, eu desisti de repassar as opções. Escolhi fazer nada. Pela primeira vez, depois de alguns meses, escolhi não saber nem de mim. Segui o curso do dia.
Que história é essa de lista para viver com eficiência todos os dias? Que hábito estranho é esse que nega a sabedoria, o instinto e a vontade?
Hoje eu me rebelei. Não fui obrigação. Fui ânimo e caminhei. Fui fome e comi. Fui curiosidade e li. Fui amiga e falei. Fui preguiça e não trabalhei. Fui inspiração e escrevi. E quer saber o que eu faço com a culpa dos não-feitos? Nada. Porque hoje, eu não faço nada. Hoje eu vivo com tudo o querer sem obrigação.
Que história é essa de lista para viver com eficiência todos os dias? Que hábito estranho é esse que nega a sabedoria, o instinto e a vontade?
Hoje eu me rebelei. Não fui obrigação. Fui ânimo e caminhei. Fui fome e comi. Fui curiosidade e li. Fui amiga e falei. Fui preguiça e não trabalhei. Fui inspiração e escrevi. E quer saber o que eu faço com a culpa dos não-feitos? Nada. Porque hoje, eu não faço nada. Hoje eu vivo com tudo o querer sem obrigação.
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Se complicar, a gente mente
Passeando por aí, tenho gratas surpresas. Como a dica que encontrei hoje. É, no mínimo, instigante: "Às vezes, precisamos enganar a mente para ficarmos bem".
Isso mesmo. É preciso mentir para a mente, falando e agindo de forma diferente da habitual, é preciso quebrar padrões. Parece simples. E é. Só precisa de algum treino.
Um exemplo: fim de um dia errado. Ao invés de remoer culpas e tristeza, resolvo tomar um banho zen-perfumado, escolho me tratar bem. Com isso, estarei colocando a minha mente numa situação em que ela não é capaz de funcionar do modo convencional.
Outro exemplo: Ao respirar profundamente num momento de raiva, eu confundo a minha mente, pois ela não é capaz de correlacionar as duas coisas. "Desde quando", a mente irá se perguntar, "alguém respira profundamente quando está com raiva? O que está acontecendo?"
Se a situação complicar, seja inovador, seja criativo, confunda a sua mente.
A dica foi deste blog.
Isso mesmo. É preciso mentir para a mente, falando e agindo de forma diferente da habitual, é preciso quebrar padrões. Parece simples. E é. Só precisa de algum treino.
Um exemplo: fim de um dia errado. Ao invés de remoer culpas e tristeza, resolvo tomar um banho zen-perfumado, escolho me tratar bem. Com isso, estarei colocando a minha mente numa situação em que ela não é capaz de funcionar do modo convencional.
Outro exemplo: Ao respirar profundamente num momento de raiva, eu confundo a minha mente, pois ela não é capaz de correlacionar as duas coisas. "Desde quando", a mente irá se perguntar, "alguém respira profundamente quando está com raiva? O que está acontecendo?"
Se a situação complicar, seja inovador, seja criativo, confunda a sua mente.
A dica foi deste blog.
terça-feira, 31 de agosto de 2010
O que dizem os astros?
Dia de expectativa. Espero uma resposta que não vem. Pela experiência, sei que o silêncio é bom indício. Mas, ainda assim, resta a dúvida: “Será que chegou a hora de não dar certo?” Afinal, esse dia sempre chega. Fazer o quê? Lembrei-me do horóscopo. “O que será que os astros têm a me dizer?" E lá fui eu atrás da resposta. Aliás, de várias. Para deixar bem claro o desígnio dos astros, pesquisei em muitos sites. Somando tudo, cheguei a uma conclusão que compartilho com vocês agora: é melhor não sair de casa.
SOCIAL
- Hoje você está mais fechado do que nunca preferindo estar quietinho em sua casa.
- Evite expor demais a sua intimidade.
- Não julgue o seu próximo.
Para não julgar e não me expor, é melhor mesmo ficar em casa.
ROTINA
- Suas atitudes terão a marca da objetividade.
- Viva de uma forma sábia.
- A determinação deve ser o elemento a guiá-lo.
Para agir com objetividade, ser sábia e ter determinação, é preciso maturidade e disposição, mas estamos em falta. Melhor ficar em casa.
EMOÇÕES
- Suas emoções e sensibilidade estão mais afloradas.
- Tendência para a depressão e o pessimismo.
- Evite se comportar como uma criança carente.
Em dias de sensibilidade aflorada, tudo pode acontecer, incluindo depressão e carência. É melhor não sair da cama.
AMOR
- Amor em fase de espera.
- É provável que venha a descobrir algo que o faça terminar uma relação amorosa.
- Não discuta por tudo, controle-se.
Não estou em fase de espera, não sou de discutir. Então, em vez de conversa, é melhor ir para a cama.
Será que, independente do dia, a gente sai de casa depois de ouvir os astros? Concluo: Saia. A vida faz-se por si mesma.
SOCIAL
- Hoje você está mais fechado do que nunca preferindo estar quietinho em sua casa.
- Evite expor demais a sua intimidade.
- Não julgue o seu próximo.
Para não julgar e não me expor, é melhor mesmo ficar em casa.
ROTINA
- Suas atitudes terão a marca da objetividade.
- Viva de uma forma sábia.
- A determinação deve ser o elemento a guiá-lo.
Para agir com objetividade, ser sábia e ter determinação, é preciso maturidade e disposição, mas estamos em falta. Melhor ficar em casa.
EMOÇÕES
- Suas emoções e sensibilidade estão mais afloradas.
- Tendência para a depressão e o pessimismo.
- Evite se comportar como uma criança carente.
Em dias de sensibilidade aflorada, tudo pode acontecer, incluindo depressão e carência. É melhor não sair da cama.
AMOR
- Amor em fase de espera.
- É provável que venha a descobrir algo que o faça terminar uma relação amorosa.
- Não discuta por tudo, controle-se.
Não estou em fase de espera, não sou de discutir. Então, em vez de conversa, é melhor ir para a cama.
Será que, independente do dia, a gente sai de casa depois de ouvir os astros? Concluo: Saia. A vida faz-se por si mesma.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Um dia daqueles
Qualquer um tem. Eu também. E foi hoje, segunda-feira, dia 16 de agosto, o meu "dia daqueles". Daqueles que a gente quer esquecer, daqueles a respeito dos quais não é bom falar, daqueles que a gente gostaria que virassem fumaça, algo insignificante, pequenino, um nada.
Falando assim, percebo o ridículo da situação. A vida em si já é tão fumaça que passa, já tem tanto sem-graça. Por que tratar de irrelevâncias?
Fecho os olhos e respiro. Então, uma risada brota no fundo do meu peito. Acho estranho o som cristalino. Fico sem graça como quem ri na igreja. Tão séria e, agora, explodindo em risada?... E passou! Não há choro nem vela. Estou leve agora.
A propósito, gosto de uma frase de Clarice Lispector, que convida a confiar: "faz de conta que estou deitada na palma transparente da mão de Deus". É bom o conforto dessa imagem.
Agora, vou tomar chá de alecrim e assistir a um filme na TV, com direito a cafuné e meia de lã esquentando os pés. É assim que eu sou zen-humorada num dia daqueles.
Falando assim, percebo o ridículo da situação. A vida em si já é tão fumaça que passa, já tem tanto sem-graça. Por que tratar de irrelevâncias?
Fecho os olhos e respiro. Então, uma risada brota no fundo do meu peito. Acho estranho o som cristalino. Fico sem graça como quem ri na igreja. Tão séria e, agora, explodindo em risada?... E passou! Não há choro nem vela. Estou leve agora.
A propósito, gosto de uma frase de Clarice Lispector, que convida a confiar: "faz de conta que estou deitada na palma transparente da mão de Deus". É bom o conforto dessa imagem.
Agora, vou tomar chá de alecrim e assistir a um filme na TV, com direito a cafuné e meia de lã esquentando os pés. É assim que eu sou zen-humorada num dia daqueles.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Para florescer
O processo é longo. Precisa de um ano inteiro e muita dedicação. Há que se regar, adubar, buscar boa luminosidade e a ventilação ideal. “Vigiai o tempo todo!” – parece dizer a planta, após um descuido ou distanciamento. E lá se vai o viço. Então, porque a natureza não sabe de mágoas, basta um copo d’água para que ela recupere a boa forma. Tanto trabalho para quê? Para vê-la florescer.
Um dia, a gente acorda e tudo parece adormecido na mesmice. Nenhum broto, nem mesmo uma folha morta dando um tom diferente. Então, a promessa do verde se cumpre: há um broto. Inicia-se o acompanhamento expectante. Cada dia, uma olhada. Nada. Só resta dar tempo ao tempo, relaxar na espera, acreditar no curso da natureza. Tanta espera para quê? Para vê-la florescer.
E hoje, exatamente hoje, segunda-feira sem charme, ânimo ou esperança, ela deu o ar da graça. A minha orquídea já tem flor. Várias. Há um cacho de pequenas flores brancas com matizes de marrom, amarelo e rosa. Perfeita na forma, sutil nas cores, surpreendente no perfume. Olho e fico extasiada diante do extraordinário. Depois, reparo que outros cachos se revelam. Ela ficará cheia, plena de ser orquídea.
Nesta segunda-feira vazia, uma planta iluminou meu canto. Não há esforço ou esperança que não valha este espetáculo.
A orquídea me inspira. Penso em raízes fortes para me sustentar nos bons e nos maus momentos, penso em ter calma para realizar minha obra, penso sem seguir mais leve, levando apenas o essencial para o corpo e para a alma (o resto, são superficialidades que o vazio inventa), penso em cumprir as promessas da semente. Gostaria de ser como esta planta cujo destino se concretiza dia após dia, em silêncio, sem estardalhaço, sem porquês, apenas seguindo para florescer. Gostaria de enfeitar meu lugar no mundo. Quero florescer o belo que carrego.
Será que esse incômodo é um broto?
Um dia, a gente acorda e tudo parece adormecido na mesmice. Nenhum broto, nem mesmo uma folha morta dando um tom diferente. Então, a promessa do verde se cumpre: há um broto. Inicia-se o acompanhamento expectante. Cada dia, uma olhada. Nada. Só resta dar tempo ao tempo, relaxar na espera, acreditar no curso da natureza. Tanta espera para quê? Para vê-la florescer.
E hoje, exatamente hoje, segunda-feira sem charme, ânimo ou esperança, ela deu o ar da graça. A minha orquídea já tem flor. Várias. Há um cacho de pequenas flores brancas com matizes de marrom, amarelo e rosa. Perfeita na forma, sutil nas cores, surpreendente no perfume. Olho e fico extasiada diante do extraordinário. Depois, reparo que outros cachos se revelam. Ela ficará cheia, plena de ser orquídea.
Nesta segunda-feira vazia, uma planta iluminou meu canto. Não há esforço ou esperança que não valha este espetáculo.
A orquídea me inspira. Penso em raízes fortes para me sustentar nos bons e nos maus momentos, penso em ter calma para realizar minha obra, penso sem seguir mais leve, levando apenas o essencial para o corpo e para a alma (o resto, são superficialidades que o vazio inventa), penso em cumprir as promessas da semente. Gostaria de ser como esta planta cujo destino se concretiza dia após dia, em silêncio, sem estardalhaço, sem porquês, apenas seguindo para florescer. Gostaria de enfeitar meu lugar no mundo. Quero florescer o belo que carrego.
Será que esse incômodo é um broto?
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Eu e o anjo
Ele chegou embalado para presente e me foi entregue por mãos amorosas. Como sempre acontece quando recebo um presente fora das datas especiais, fiquei sem palavras, calada no meu encantamento.
Abri o pacote, já sabendo que veria um anjo. E ela – a minha sogra – me disse:
– Não sei se era um anjo assim que você queria. Mas eu gostei da carinha dele e comprei.
Não, aquele não era o anjo que eu tinha imaginado. Eu queria um anjo todo branco. Simples assim. Não digo que ele se destinava a ser apenas um enfeite, porque tenho cá a minha fé, mas digo que ficaria ótimo num certo canto da casa. Ainda bem que não recebi o anjo imaginado. O imprevisto tem mais beleza.
O anjo que ganhei conquistou o meu coração e outro canto. Agora fica aqui, ao meu lado, observando o meu trabalho. Suas vestes são brancas com detalhes dourados, um luxo limpo e iluminado. Numa mão, traz um bouquet de lírios e quase posso sentir o perfume exalando-se. Adoro lírios brancos. Na outra mão, o anjo carrega um papel que, para mim, é prenúncio de boas novas. As asas são puro acolhimento. Só de olhar, fico em paz. O rosto que, segundo a minha sogra, é sério, para mim, tem um quê de responsabilidade acrescida de suavidade.
Sim, eu viajei na imagem. E fui mais longe: procurei saber tudo sobre o Arcanjo Gabriel. Li que ele é o portador das grandes mensagens divinas aos homens. Fiquei me perguntando que sinal seria esse, porque, afinal de contas, acredito nos sinais que vem de lá. Sei lá porquê.
E se quase me constranjo por refletir tanto sobre o que, para muitos, seria apenas um objeto, acabo por concluir que o que vejo ali é o reflexo do que carrego. Projeto na resina endurecida a suavidade da minha alma. Se eu invento que ele me trará boas notícias, é porque, no fundo do meu coração, espero por elas, acredito que virão.
O que me resta dizer? Apenas que o presente inspirou os meus melhores pensamentos. Isso é muito. Isso é bom. E basta. Sou pela grata surpresa.
Abri o pacote, já sabendo que veria um anjo. E ela – a minha sogra – me disse:
– Não sei se era um anjo assim que você queria. Mas eu gostei da carinha dele e comprei.
Não, aquele não era o anjo que eu tinha imaginado. Eu queria um anjo todo branco. Simples assim. Não digo que ele se destinava a ser apenas um enfeite, porque tenho cá a minha fé, mas digo que ficaria ótimo num certo canto da casa. Ainda bem que não recebi o anjo imaginado. O imprevisto tem mais beleza.
O anjo que ganhei conquistou o meu coração e outro canto. Agora fica aqui, ao meu lado, observando o meu trabalho. Suas vestes são brancas com detalhes dourados, um luxo limpo e iluminado. Numa mão, traz um bouquet de lírios e quase posso sentir o perfume exalando-se. Adoro lírios brancos. Na outra mão, o anjo carrega um papel que, para mim, é prenúncio de boas novas. As asas são puro acolhimento. Só de olhar, fico em paz. O rosto que, segundo a minha sogra, é sério, para mim, tem um quê de responsabilidade acrescida de suavidade.
Sim, eu viajei na imagem. E fui mais longe: procurei saber tudo sobre o Arcanjo Gabriel. Li que ele é o portador das grandes mensagens divinas aos homens. Fiquei me perguntando que sinal seria esse, porque, afinal de contas, acredito nos sinais que vem de lá. Sei lá porquê.
E se quase me constranjo por refletir tanto sobre o que, para muitos, seria apenas um objeto, acabo por concluir que o que vejo ali é o reflexo do que carrego. Projeto na resina endurecida a suavidade da minha alma. Se eu invento que ele me trará boas notícias, é porque, no fundo do meu coração, espero por elas, acredito que virão.
O que me resta dizer? Apenas que o presente inspirou os meus melhores pensamentos. Isso é muito. Isso é bom. E basta. Sou pela grata surpresa.
quarta-feira, 21 de julho de 2010
Quando o afeto fala alto
Hoje, eu aprendi que daimoku é o termo utilizado para se referir à recitação do Mantra Sagrado Nam-Myoho-Rengue-Kyo e que, através dessa prática, elevamos nosso estado de vida, proporcionando a capacidade de enxergar o mundo com mais sabedoria, mais coragem e mais benevolência. Aprendi que esses atributos são essenciais para a superação de obstáculos e dificuldades.
Hoje, eu aprendi que nos momentos difíceis da vida podemos crescer, criando raízes fortes, inabaláves, porque o ponto de onde essas raízes partem é o coração.
Hoje, eu aprendi que a palavra coragem vem do latim cor, cordis, que significa coração. Então, invento que ser corajoso é agir, utilizando um potencial que vem de dentro, a voz do coração.
Hoje, eu pratiquei daimoku, imaginei raízes fortes para enfrentar as tempestades, sintonizei com o coração e posso afirmar que carrego um pouco mais de calma.
Mas, preciso confessar que, de tudo o que aprendi hoje, o mais importante foi que amizade torna o aprendizado mais nobre. Três amigas estiveram ao meu lado e, assim, me senti amparada, acolhida e fortalecida pelo afeto e pela atenção sincera. Deve ser por isso que o mantra ainda soa alto no meu coração.
Quer ouvir também? Clique aqui.
Hoje, eu aprendi que nos momentos difíceis da vida podemos crescer, criando raízes fortes, inabaláves, porque o ponto de onde essas raízes partem é o coração.
Hoje, eu aprendi que a palavra coragem vem do latim cor, cordis, que significa coração. Então, invento que ser corajoso é agir, utilizando um potencial que vem de dentro, a voz do coração.
Hoje, eu pratiquei daimoku, imaginei raízes fortes para enfrentar as tempestades, sintonizei com o coração e posso afirmar que carrego um pouco mais de calma.
Mas, preciso confessar que, de tudo o que aprendi hoje, o mais importante foi que amizade torna o aprendizado mais nobre. Três amigas estiveram ao meu lado e, assim, me senti amparada, acolhida e fortalecida pelo afeto e pela atenção sincera. Deve ser por isso que o mantra ainda soa alto no meu coração.
Quer ouvir também? Clique aqui.
sexta-feira, 9 de julho de 2010
Flores e florais
Que primavera é essa? Não é, mas parece. A cidade está linda, os ipês estão floridos, a natureza cumpriu o seu ciclo. E eu me inspiro.
Um dia, eu disse para um amigo:
– Imagina a força que o ipê desprende no momento de explodir em tantos flocos cor de rosa!

Ele respondeu que nunca havia pensado nisso. Eu, que sobretudo medito, comparei com uma pessoa. Para exibir toda exuberância possível, há que se ter força na hora de florescer.
Deve ser por isso que voltei aos florais. E apostei alto: Boungainvillea, para criar tudo o que posso e Ageratum, para continuar sonhando.
Você vai ler no que vai dar.
Conheça outros florais de Minas aqui.
Um dia, eu disse para um amigo:
– Imagina a força que o ipê desprende no momento de explodir em tantos flocos cor de rosa!

Ele respondeu que nunca havia pensado nisso. Eu, que sobretudo medito, comparei com uma pessoa. Para exibir toda exuberância possível, há que se ter força na hora de florescer.
Deve ser por isso que voltei aos florais. E apostei alto: Boungainvillea, para criar tudo o que posso e Ageratum, para continuar sonhando.
Você vai ler no que vai dar.
Conheça outros florais de Minas aqui.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
O estar e o meditar
Já escrevi aqui que, para mim, meditação é uma prática dinâmica. Medito enquanto me espreguiço sob os lençóis, medito andando, comendo, aspirando os cheiros da rua, ouvindo os sons do mundo e as confidências das pessoas. Meditação pode ser o tempo todo. Aí, encontrei o texto abaixo no blog Palavras de Osho, editado por pessoas que, certamente, sabem mais do que eu sobre o assunto. E pensamos parecido. Então, fica a dica:
"Meditação não é algo que você faça de manhã e pronto. Meditação é algo com o qual você deve viver cada minuto da sua vida.
Andando, dormindo, sentando-se, falando, escutando — ela deve se tornar uma espécie de clima constante. Uma pessoa relaxada permanece nesse clima. Uma pessoa que continua abandonando o passado permanece meditativa."
Estar presente: o começo do meditar.
"Meditação não é algo que você faça de manhã e pronto. Meditação é algo com o qual você deve viver cada minuto da sua vida.
Andando, dormindo, sentando-se, falando, escutando — ela deve se tornar uma espécie de clima constante. Uma pessoa relaxada permanece nesse clima. Uma pessoa que continua abandonando o passado permanece meditativa."
Estar presente: o começo do meditar.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
O amor e seus enfeites
Ela já viveu 90 anos e parece pronta para mais uns tantos. É divertida, simpática, autêntica e eu adoro nossos encontros. Vejo-a quase todos os dias e quando não a vejo, resta-me o consolo da visão colorida que é o muro da sua casa. Ali, ela dispõe muitos vasos e coloridíssimas flores de plástico. É um espetáculo. Vejo o muro verde adornado pelos volumes cor-de-rosa, laranja, vermelho, amarelo... Não gostava de flores de plástico, mas ela conquistou essa exceção.
Vaidosa, sempre usa esmalte colorido. Leiam co-lo-ri-do com todas as letras e tons. Já a vi usando esmalte laranja, rosa, mas vermelhos são os seus preferidos. Nos lábios, batom sempre. Não se descuida nunca e é tão simples, tão vestidinho claro, florezinhas salpicadas, golinha rendada. Tudo isso quase distoa do olhar esperto que tudo capta. Quase, porque o olhar, somado ao sorriso, combinam perfeitamente com essa dona feliz.
E felicidade é a palavra que deveria ter começado esta história. Dona Isabel é feliz. Feliz porque pode subir a ladeira – considerável ladeira –, carregando suas compras de todos os dias. Feliz porque toma uma latinha de cerveja dia sim, dia não e conta isso pra todo mundo com ar de menina sapeca. Feliz porque já tem uma bandeirinha do Brasil fincada no vaso de tulipas. Feliz porque tem uma casa só dela. Feliz porque dá conta do serviço e não precisa de faxineira. Feliz, porque acorda cedo e sai perambulando pelo bairro. Feliz, porque conversa com todo mundo. Feliz, porque é a mais popular da rua. Feliz, porque sua saúde é invejável.
Eu poderia inumerar centenas de motivos que Dona Isabel encontra para fazer da felicidade a sua palavra, mas paro por aqui. Quero ir direto ao ponto que, tenho certeza, a deixa mais feliz. Ela me confidenciou outro dia:
– Todo mundo gosta de mim.
Oh, meu Deus, como não gostaríamos?
Só resta dizer que, com seus enfeites, caprichos e cuidados, essa Isabel tão inteira ensina algo valioso: Ela gosta de si. Mais ainda: Dona Isabel enfeita sua casa e se enfeita, sabendo que isso faz a vida mais bonita.
Para ela, caberiam os versos de Cora Coralina:
Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
Vaidosa, sempre usa esmalte colorido. Leiam co-lo-ri-do com todas as letras e tons. Já a vi usando esmalte laranja, rosa, mas vermelhos são os seus preferidos. Nos lábios, batom sempre. Não se descuida nunca e é tão simples, tão vestidinho claro, florezinhas salpicadas, golinha rendada. Tudo isso quase distoa do olhar esperto que tudo capta. Quase, porque o olhar, somado ao sorriso, combinam perfeitamente com essa dona feliz.
E felicidade é a palavra que deveria ter começado esta história. Dona Isabel é feliz. Feliz porque pode subir a ladeira – considerável ladeira –, carregando suas compras de todos os dias. Feliz porque toma uma latinha de cerveja dia sim, dia não e conta isso pra todo mundo com ar de menina sapeca. Feliz porque já tem uma bandeirinha do Brasil fincada no vaso de tulipas. Feliz porque tem uma casa só dela. Feliz porque dá conta do serviço e não precisa de faxineira. Feliz, porque acorda cedo e sai perambulando pelo bairro. Feliz, porque conversa com todo mundo. Feliz, porque é a mais popular da rua. Feliz, porque sua saúde é invejável.
Eu poderia inumerar centenas de motivos que Dona Isabel encontra para fazer da felicidade a sua palavra, mas paro por aqui. Quero ir direto ao ponto que, tenho certeza, a deixa mais feliz. Ela me confidenciou outro dia:
– Todo mundo gosta de mim.
Oh, meu Deus, como não gostaríamos?
Só resta dizer que, com seus enfeites, caprichos e cuidados, essa Isabel tão inteira ensina algo valioso: Ela gosta de si. Mais ainda: Dona Isabel enfeita sua casa e se enfeita, sabendo que isso faz a vida mais bonita.
Para ela, caberiam os versos de Cora Coralina:
Não sei... Se a vida é curta
Ou longa demais pra nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Costume de olhar
Desenvolvi uma técnica meio zen que consiste em fechar os olhos e andar uma longa distância no escuro. A minha teoria é que andar de olhos fechados é muito similar a andar pela vida. A gente nunca sabe o que virá, mas precisa seguir, precisa acreditar que vai dar tudo certo e que, no final, atingiremos nosso objetivo.
Acho que andar no escuro tem a ver com confiar na sorte ou na providência divina. Tem a ver também com não temer obstáculos, sabendo que a intuição sempre nos guia. Se viver é um salto no abismo do não-saber, a minha técnica consiste em ensinar a mente a calar e deixar o corpo saltar.
Às vezes, é meio constrangedor, porque o melhor lugar para fazê-lo é onde ando todos os dias. Por ali, circulam centenas de pessoas. Já abri os olhos segundos antes de esbarrar em alguém. Dá para explicar o que se passa? Nem tentei.
Tem sempre um momento em que eu digo: “Ai, que medo! Não vou dar conta.” Mas insisto, porque a gente sempre consegue dar mais um passo.
Essa era a minha teoria. Era, porque hoje mudou. Foi assim: fechei os olhos e andei. Ao abri-los, percebi o verde em volta com uma nitidez arrebatadora, e o brilho do sol na água, a sombra das árvores, as cores das roupas, o andar das pessoas. Eu estava no final da minha caminhada e só naquele momento o real me tocou.
Percebi que temos o costume de olhar e não ver. Será que eu vejo o crescimento da àrvore? Será que eu vejo a favela e seu significado? Ou será que prefiro não ver? Será que eu olho e não vejo o homem que dorme debaixo do banco? Será que eu não vejo para não sentir o frio expresso no corpo encolhido? É, não dá para olhar tudo. Mas vou continuar andando às cegas por alguns segundos para enxergar melhor o mundo.
Acho que andar no escuro tem a ver com confiar na sorte ou na providência divina. Tem a ver também com não temer obstáculos, sabendo que a intuição sempre nos guia. Se viver é um salto no abismo do não-saber, a minha técnica consiste em ensinar a mente a calar e deixar o corpo saltar.
Às vezes, é meio constrangedor, porque o melhor lugar para fazê-lo é onde ando todos os dias. Por ali, circulam centenas de pessoas. Já abri os olhos segundos antes de esbarrar em alguém. Dá para explicar o que se passa? Nem tentei.
Tem sempre um momento em que eu digo: “Ai, que medo! Não vou dar conta.” Mas insisto, porque a gente sempre consegue dar mais um passo.
Essa era a minha teoria. Era, porque hoje mudou. Foi assim: fechei os olhos e andei. Ao abri-los, percebi o verde em volta com uma nitidez arrebatadora, e o brilho do sol na água, a sombra das árvores, as cores das roupas, o andar das pessoas. Eu estava no final da minha caminhada e só naquele momento o real me tocou.
Percebi que temos o costume de olhar e não ver. Será que eu vejo o crescimento da àrvore? Será que eu vejo a favela e seu significado? Ou será que prefiro não ver? Será que eu olho e não vejo o homem que dorme debaixo do banco? Será que eu não vejo para não sentir o frio expresso no corpo encolhido? É, não dá para olhar tudo. Mas vou continuar andando às cegas por alguns segundos para enxergar melhor o mundo.
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Ouvindo em paz
Estava ouvindo um CD, desses de meditação que se compra em banca de revista, e fiquei surpresa com as palavras daquele moço que falava lentamente, tendo como trilha sonora uma melodia fácil. Comprei o CD há muito tempo. Custou R$ 14,90 e eu já ouvi muitas vezes. Ocorre que, nos últimos tempos, não ouvia mais, porque estava me cansando do ritmo e do blá-blá-blá.
Mas, hoje, eu precisava de paz e quis ouvi-lo novamente. Foi gratificante. Somente agora, quando mais precisei, percebi o valor do trabalho. Eu queria apenas reforçar atitudes e crenças que sempre pautaram minha vida e que agora, mais do que nunca, precisam ganhar força. Falo de amor, sintonia com o simples e natural, meditação, perdão, entendimento da transitoriedade da vida, coisas desse tipo. Com fala simples e mansa, o narrador conseguiu mudar minha sintonia de "ai que preguiça de tudo", para "tudo vale a pena se a alma não é pequena". Não vale cada centavo dos R$ 14,90 gastos? Eu pagaria até mais.
Confesso que, quando comprei o CD, enfiei rapidinho na bolsa, porque não era um produto nobre. Quem é que quer ser flagrada comprando CD de autoajuda de uma editora desconhecida? Puro preconceito. "10 Passos para a Paz", da editora Escala, é digno de se comprar e de se ouvir em paz.
Mas, hoje, eu precisava de paz e quis ouvi-lo novamente. Foi gratificante. Somente agora, quando mais precisei, percebi o valor do trabalho. Eu queria apenas reforçar atitudes e crenças que sempre pautaram minha vida e que agora, mais do que nunca, precisam ganhar força. Falo de amor, sintonia com o simples e natural, meditação, perdão, entendimento da transitoriedade da vida, coisas desse tipo. Com fala simples e mansa, o narrador conseguiu mudar minha sintonia de "ai que preguiça de tudo", para "tudo vale a pena se a alma não é pequena". Não vale cada centavo dos R$ 14,90 gastos? Eu pagaria até mais.
Confesso que, quando comprei o CD, enfiei rapidinho na bolsa, porque não era um produto nobre. Quem é que quer ser flagrada comprando CD de autoajuda de uma editora desconhecida? Puro preconceito. "10 Passos para a Paz", da editora Escala, é digno de se comprar e de se ouvir em paz.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Sonhos fazem sentido
Hoje, estou pensando grande. Comecei lendo algumas páginas do livro “Quase nada sobre quase tudo”, presente da Maria. Livros desse tipo são bons de ler devagar, saboreando ideias que eu jamais conseguiria expressar da mesma forma e que, não obstante, são ideias minhas também. Leio jiboiando, digerindo lentamente. Na página onde parei, o autor falava sobre o espaço e o tempo. É muito grande. Ao mesmo tempo, é quase nada. Tão pequeno que passa. Alguém duvida?
E como estou pra filosofia, prossigo... Algumas vezes, antes de dormir, penso na vida. Não gosto muito quando a sintonia é o inatingível sentido de viver. Ai, ai, como a maioria dos fatos e os mais elevados objetivos ficam ridículos nessa hora! Ao mesmo tempo, é assustador perceber que tudo o que eu tenho é a minha vida. E não tenho, posto que não decido hora e lugar para sair da brincadeira. Se não sou dona da bola, sobra o quê?
Descobri recentemente que não somos donos nem da nossa história. Basta uma frase, uma ideia, uma escolha impensada para que sejamos transformados em personagem de uma história que nunca imaginamos. Melhor ou pior, não importa. Grandes celebridades por mero acaso; grandes vilões por descaso. Então, somos donos de quê?
Como ando muito otimista, vou responder: sou dona dos meus sonhos. Quando eles são bem-sonhados, quando refletem o meu desejo mais sincero, pertecem a mim e a mais ninguém. E sonhos não tem limites. Neles, eu tudo posso – como Deus.
Com que sonho? Sonho em escalar a pirâmide de Maslow com dignidade, garantido o essencial para a vida, como casa, cama, abrigo e comida. Depois, subir alguns degraus e proteger as conquistas de tantas lutas, manter os amigos, ter paz em família e a chama acessa no relacionamento. Quero gostar e confiar nas pessoas. Quero a pirâmide inteira, finalizando com a capacidade de transcender, de ser criativa, otimista e muito religiosa, porque combina comigo. Claro que esses são os sonhos de todo mundo, mas há aquilo que sonho e não conto. Se eu contar, pode não acontecer e tem que...
Da próxima vez que pensar sobre o sentido da vida, vire para o lado e sonhe. Faz sentido.
E como estou pra filosofia, prossigo... Algumas vezes, antes de dormir, penso na vida. Não gosto muito quando a sintonia é o inatingível sentido de viver. Ai, ai, como a maioria dos fatos e os mais elevados objetivos ficam ridículos nessa hora! Ao mesmo tempo, é assustador perceber que tudo o que eu tenho é a minha vida. E não tenho, posto que não decido hora e lugar para sair da brincadeira. Se não sou dona da bola, sobra o quê?
Descobri recentemente que não somos donos nem da nossa história. Basta uma frase, uma ideia, uma escolha impensada para que sejamos transformados em personagem de uma história que nunca imaginamos. Melhor ou pior, não importa. Grandes celebridades por mero acaso; grandes vilões por descaso. Então, somos donos de quê?
Como ando muito otimista, vou responder: sou dona dos meus sonhos. Quando eles são bem-sonhados, quando refletem o meu desejo mais sincero, pertecem a mim e a mais ninguém. E sonhos não tem limites. Neles, eu tudo posso – como Deus.
Com que sonho? Sonho em escalar a pirâmide de Maslow com dignidade, garantido o essencial para a vida, como casa, cama, abrigo e comida. Depois, subir alguns degraus e proteger as conquistas de tantas lutas, manter os amigos, ter paz em família e a chama acessa no relacionamento. Quero gostar e confiar nas pessoas. Quero a pirâmide inteira, finalizando com a capacidade de transcender, de ser criativa, otimista e muito religiosa, porque combina comigo. Claro que esses são os sonhos de todo mundo, mas há aquilo que sonho e não conto. Se eu contar, pode não acontecer e tem que...
Da próxima vez que pensar sobre o sentido da vida, vire para o lado e sonhe. Faz sentido.
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Um coração destemido
É difícil ser zen nos momentos bons ou simplesmente banais do cotidiano. É difícil encher-se de coragem para enfrentar o mundo, mesmo que o enfrentamento tenha a ver com a posição numa fila. É difícil ser uma pessoa correta e boa nos pequenos gestos do dia-a-dia. É difícil ser uma pessoa íntegra, que não tem que se envergonhar de pequenos crimes. É difícil manter o humor em situações corriqueiras. É difícil ser otimista quando a vida anda nos trilhos.
Quando tudo vai bem, quando o tédio é o único e pior castigo, quando o controle está nas nossas mãos, é difícil manter uma conduta reta, otimista, em paz e amorosa. Por isso tropeçamos nas boas intenções, fazemos planos que não cumprimos, damos respostas das quais nos arrependemos, por isso não falamos toda a verdade e contamos a história pela metade. Eu, você e todo mundo, vivemos nossas imperfeições o tempo todo. Porque é difícil ser diferente.
E é quando os piores momentos chegam que nos conscientizamos que aquela água que corria calma, dia após dia, no fundo da alma, ia polindo a coragem, o caráter, a bondade. É quando a vida exige gestos grandiosos que notamos a grandeza de que somos capazes.
Vivo um desses momentos. Estou no profundamente triste da vida. No entanto, agora, exatamente agora, nesse trecho tortuoso do caminho, eu me assusto, não com o desafio, mas com a minha capacidade de reafirmar o meu otimismo e a minha fé. O tempo não passou em vão por mim. Nas minhas invenções, no meu jeito de inventar remédios, patuás e credos, moldei uma Iêda melhor.
E posso contar que não andei sozinha. Indizíveis vezes, nesses últimos dias, meus olhos encheram-se de lágrimas, porque pessoas queridas me ligaram, não para me questionar, mas para me amarem caladas. Por todas essas pessoas e por outras tantas que fazem do amor e do respeito sua bandeira, hoje, eu acredito mais na vida e sou mais otimista.
Ouvi Isabel Allender dizer numa palestra: “precisamos manter o coração destemido”. É com grande gratidão por tudo o que me aconteceu, e que forjou em mim o coração que carrego, que eu digo: tenho um coração destemido. A partir de hoje, é ele que vai falar, não mais o meu medo de desagradar, não mais a minha fantasia de pessoa perfeita, não mais a escrita rimada e de alma acanhada. Sempre acreditei no maior, melhor e mais justo. Portanto, faço desses ingredientes o tempero do meu texto. Zenhumorada e apaixonadamente forte.
Vencer pequenas batalhas pode ser difícil, mas a guerra eu não perco. Só porque entro nela com o coração destemido.
Quando tudo vai bem, quando o tédio é o único e pior castigo, quando o controle está nas nossas mãos, é difícil manter uma conduta reta, otimista, em paz e amorosa. Por isso tropeçamos nas boas intenções, fazemos planos que não cumprimos, damos respostas das quais nos arrependemos, por isso não falamos toda a verdade e contamos a história pela metade. Eu, você e todo mundo, vivemos nossas imperfeições o tempo todo. Porque é difícil ser diferente.
E é quando os piores momentos chegam que nos conscientizamos que aquela água que corria calma, dia após dia, no fundo da alma, ia polindo a coragem, o caráter, a bondade. É quando a vida exige gestos grandiosos que notamos a grandeza de que somos capazes.
Vivo um desses momentos. Estou no profundamente triste da vida. No entanto, agora, exatamente agora, nesse trecho tortuoso do caminho, eu me assusto, não com o desafio, mas com a minha capacidade de reafirmar o meu otimismo e a minha fé. O tempo não passou em vão por mim. Nas minhas invenções, no meu jeito de inventar remédios, patuás e credos, moldei uma Iêda melhor.
E posso contar que não andei sozinha. Indizíveis vezes, nesses últimos dias, meus olhos encheram-se de lágrimas, porque pessoas queridas me ligaram, não para me questionar, mas para me amarem caladas. Por todas essas pessoas e por outras tantas que fazem do amor e do respeito sua bandeira, hoje, eu acredito mais na vida e sou mais otimista.
Ouvi Isabel Allender dizer numa palestra: “precisamos manter o coração destemido”. É com grande gratidão por tudo o que me aconteceu, e que forjou em mim o coração que carrego, que eu digo: tenho um coração destemido. A partir de hoje, é ele que vai falar, não mais o meu medo de desagradar, não mais a minha fantasia de pessoa perfeita, não mais a escrita rimada e de alma acanhada. Sempre acreditei no maior, melhor e mais justo. Portanto, faço desses ingredientes o tempero do meu texto. Zenhumorada e apaixonadamente forte.
Vencer pequenas batalhas pode ser difícil, mas a guerra eu não perco. Só porque entro nela com o coração destemido.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Não desisto
Acredito em dias melhores. Não importa hoje, agora, esse incômodo, essa mistura de medo, dor e assombro. Não importa. Eu acredito nos dias melhores. O que eu posso fazer? É o meu futuro agora.
E, de vez em quando, ouvir uma boa música para a realidade não falar mais alto do que os meus sonhos.
E, de vez em quando, ouvir uma boa música para a realidade não falar mais alto do que os meus sonhos.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Meditação acidental
Um dia eu me perguntaram:
– você anda meditando muito?
Respondi que não. E veio-me uma pontinha de culpa. Então, expliquei que o trabalho anda exigindo muito do meu tempo. Não há como encaixar meditação. Já esforço-me bastante para fazer as "sagradas" caminhadas de todos os dias.
Alguns minutos depois, veio-me uma certeza e nenhuma culpa: medito todos os dias, todas as horas, todos os minutos.
Medito quando acordo e me espreguiço como gato. Medito quando fecho os olhos e vou para dentro para ver com que coragem vou encarar o mundo. Medito quando escovo os dentes e quando sinto o aroma do café que pinga lentamente ao ser coado. Há que se ter paciência nessa hora. Medito quando ando em torno da lagoa e vejo as pessoas sendo – cada uma do seu jeito. Medito quando tomo banho e sinto a água escorrendo pelo corpo, levando tudo o que não presta. Sei disso porque, nessa hora, eu medito. Medito quando passo meus cremes e aspiro o perfume, enquanto percebo onde o corpo guardou minhas memórias – ruins ou ótimas. Medito quando massageio ponto suspeitos e penso que alivio minha bagagem.
Medito quando vejo na agenda os trabalhos do dia e me programo para dar conta sem atraso ou descaso. Medito quando encaixo pausas para ver a vida e medir o tempo ganho – e não o perdido. Medito quando quando molho as plantas e quando aspiro o aroma da pseudo-horta. Vou longe nessa hora.
Medito quando almoço e coloco cores diferentes no prato para brincar de arte. Medito quando como um pedaço de chocolate e encho a boca, curtindo o gosto em cada canto – prazer é comunhão com o que há de mais elevado. Medito quando fico sentada diante do computador e leio as coisas do mundo, enquanto traduzo minha percepção para textos sob encomenda. Medito quando não paro de escrever, porque a inspiração está sem freio.
Medito quando saio e converso com os amigos. Medito quando preparo-me para dormir e penso no dia que há de vir.
Agora, respondo com convicção:
– Sim, eu estou meditando muito. Só que a minha meditação não é transcendental, ela é a meditação do aqui e agora, a meditação acidental. Pelo menos por enquanto...
– você anda meditando muito?
Respondi que não. E veio-me uma pontinha de culpa. Então, expliquei que o trabalho anda exigindo muito do meu tempo. Não há como encaixar meditação. Já esforço-me bastante para fazer as "sagradas" caminhadas de todos os dias.
Alguns minutos depois, veio-me uma certeza e nenhuma culpa: medito todos os dias, todas as horas, todos os minutos.
Medito quando acordo e me espreguiço como gato. Medito quando fecho os olhos e vou para dentro para ver com que coragem vou encarar o mundo. Medito quando escovo os dentes e quando sinto o aroma do café que pinga lentamente ao ser coado. Há que se ter paciência nessa hora. Medito quando ando em torno da lagoa e vejo as pessoas sendo – cada uma do seu jeito. Medito quando tomo banho e sinto a água escorrendo pelo corpo, levando tudo o que não presta. Sei disso porque, nessa hora, eu medito. Medito quando passo meus cremes e aspiro o perfume, enquanto percebo onde o corpo guardou minhas memórias – ruins ou ótimas. Medito quando massageio ponto suspeitos e penso que alivio minha bagagem.
Medito quando vejo na agenda os trabalhos do dia e me programo para dar conta sem atraso ou descaso. Medito quando encaixo pausas para ver a vida e medir o tempo ganho – e não o perdido. Medito quando quando molho as plantas e quando aspiro o aroma da pseudo-horta. Vou longe nessa hora.
Medito quando almoço e coloco cores diferentes no prato para brincar de arte. Medito quando como um pedaço de chocolate e encho a boca, curtindo o gosto em cada canto – prazer é comunhão com o que há de mais elevado. Medito quando fico sentada diante do computador e leio as coisas do mundo, enquanto traduzo minha percepção para textos sob encomenda. Medito quando não paro de escrever, porque a inspiração está sem freio.
Medito quando saio e converso com os amigos. Medito quando preparo-me para dormir e penso no dia que há de vir.
Agora, respondo com convicção:
– Sim, eu estou meditando muito. Só que a minha meditação não é transcendental, ela é a meditação do aqui e agora, a meditação acidental. Pelo menos por enquanto...
sábado, 20 de março de 2010
O gato que não sumiu
Chorosa, ela pediu:
– Escreve um conto para o meu gato.
Veio-me um pensamento relâmpago:
“Logo eu, que não gosto de gatos?”
Assim como o gato, o pensamento sumiu. Respondi:
– Claro. O que você quer que eu diga?
– Diga que ele está bem.
Fiquei enternecida. Então ela queria uma historinha para acreditar?
Pensei em dizer:
– O gatinho foi andando, foi andando, foi andando...
E depois fazer cócegas para ela rir. Mas isso não teria a menor graça. Porque ele foi andando e sumiu.
Esta é a história que eu vou contar: Lulu era uma gata. Linda e manhosa, tinha até pretendente a namorado, um gatão malandro, de grandes bigodes e cara de mau. Mas Lulu nem tchum. Um dia, Lulu foi ser castrada e voltou Luis. O quê? Lulu era um gato. E nobre: com casa, cama, comida e pelos lavados. Quem seria doido de abandonar uma vida assim? Só mesmo um gato de rua. Luis era. E saiu. Ficou alguns dias fora, depois voltou. Saiu de novo e voltou. Saiu e voltou. Até que um dia, saiu e não voltou.
Atiraram o pau no gato? O gato subiu no telhado? Que nada! Gatos tem sete vidas. Pergutando aos vizinhos, a dona tristonha descobriu que Luis tinha até mais do que isso, usufruia do conforto de muitas casas. E agora, em que canto foi parar? Onde Luis está? Eu sei.
Vou acabar com esse mistério: Luiz está no coração de Patrícia. Então, está bem.
E que ninguém duvide do final feliz.
– Escreve um conto para o meu gato.
Veio-me um pensamento relâmpago:
“Logo eu, que não gosto de gatos?”
Assim como o gato, o pensamento sumiu. Respondi:
– Claro. O que você quer que eu diga?
– Diga que ele está bem.
Fiquei enternecida. Então ela queria uma historinha para acreditar?
Pensei em dizer:
– O gatinho foi andando, foi andando, foi andando...
E depois fazer cócegas para ela rir. Mas isso não teria a menor graça. Porque ele foi andando e sumiu.
Esta é a história que eu vou contar: Lulu era uma gata. Linda e manhosa, tinha até pretendente a namorado, um gatão malandro, de grandes bigodes e cara de mau. Mas Lulu nem tchum. Um dia, Lulu foi ser castrada e voltou Luis. O quê? Lulu era um gato. E nobre: com casa, cama, comida e pelos lavados. Quem seria doido de abandonar uma vida assim? Só mesmo um gato de rua. Luis era. E saiu. Ficou alguns dias fora, depois voltou. Saiu de novo e voltou. Saiu e voltou. Até que um dia, saiu e não voltou.
Atiraram o pau no gato? O gato subiu no telhado? Que nada! Gatos tem sete vidas. Pergutando aos vizinhos, a dona tristonha descobriu que Luis tinha até mais do que isso, usufruia do conforto de muitas casas. E agora, em que canto foi parar? Onde Luis está? Eu sei.
Vou acabar com esse mistério: Luiz está no coração de Patrícia. Então, está bem.
E que ninguém duvide do final feliz.
segunda-feira, 15 de março de 2010
Quando eu me calo
Às vezes, são carícias. Outras, são inspiração para algo mais bonito. Acontece de serem como luz em meio a sombras, traçando um sentido, um rumo. É triste quando são vazias. Mais triste quando são flechas lançadas ao acaso. Não existe explicação para as impensadas. Pesam como pedra quando resolvemos carregá-las com fé cega. Na maioria das vezes, são dispensáveis. E a vida faz-se delas. Usamos o tempo todo em pensamentos, atos e omissões. Talvez por acreditar que, como personagens da história, temos que ter roteiro e muitas falas. Ninguém quer ser o coadjuvante mudo. A estratégia é falar muito.
Hoje acordei atenta às palavras. Não sou dos personagens que mais falam. Também não uso sempre a palavra mais certa. Ocorre de usar palavras que ferem. Ocorre de ser frouxa como mel escorrendo pela boca. Ocorrem vômitos de palavras engolidas a contragosto. E também palavrões. Sobra o quê? Confidências suspeitas, mentiras gentis, citações aprováveis, besteiras do dia-a-dia, como o leite derramado... Talvez seja hora de calar para a alma.
Calo-me e cito uma frase de Barry Stevens do livro Não apresse o rio – ele corre sozinho, o mais zenhumorado que eu já li:
Hoje acordei atenta às palavras. Não sou dos personagens que mais falam. Também não uso sempre a palavra mais certa. Ocorre de usar palavras que ferem. Ocorre de ser frouxa como mel escorrendo pela boca. Ocorrem vômitos de palavras engolidas a contragosto. E também palavrões. Sobra o quê? Confidências suspeitas, mentiras gentis, citações aprováveis, besteiras do dia-a-dia, como o leite derramado... Talvez seja hora de calar para a alma.
Calo-me e cito uma frase de Barry Stevens do livro Não apresse o rio – ele corre sozinho, o mais zenhumorado que eu já li:
“Como criança, eu sentia fome
antes de conhecer as palavras que rotulam tudo isso.
Eu sentia.
Agora, quase só uso palavras
e não sinto quase nada.”
Fiquei com fome de dizer:
Quando eu me calar no coração,
ouça-me com os olhos.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Deus, o rato e a lagartixa no banheiro
Uma mulher anda por Copacabana em estado de graça. Vê tudo e ama. Segue tão enlevada que chega ao carinho extremo de se sentir a mãe de Deus. E se justifica, dizendo que não há nisso nenhuma prepotência ou glória, já que o “carinho por um filho não o reduz, até o alarga.”
Ia seguindo nessa beleza de amar, quando quase pisa num rato morto. Acabou-se. Toda trêmula, confessa que a grosseria de Deus a insulta. E mais: “Minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada.”
Faz-me rir este conto de Clarice Lispector. Não, ele faz mais: causa-me uma cegueira momentânea, como acontece quando há o choque de um clarão muito grande após a escuridão. Fico tonta, tateando minhas convicções. Depois eu me questiono. Depois eu me calo. Depois eu me vejo. Depois eu me deixo.
Acontece isto com a gente o tempo todo: sucedem-se semanas de calmaria, a vida vai fluindo fácil como rio raso, então, do nada, vem a sombra, o susto, o desconforto ou o medo implacável. A gente tende a se sentir ridícula ou decepcionada diante de uma felicidade tão frágil. Mas não precisa ser assim. A vida inteira é que se torna grande. Inteira assim, com os pequenos – como tenho dito –, com as chatices, com os compromissos inadiáveis, com os riscos, com os ríspidos, com os sustos, com os choques, com os mornos, com os gelados, com os pontos sem nós e com os nós apertados... É a soma que insere sabedoria na história.
O conto de Clarice chama-se Perdoando Deus. Confesso que eu também já fui tentada a responsabilizar Deus por uma decepção e ficar brava com o fato. Só que, ao invés de perdoá-lo, eu pedia perdão. Clarice amou mais. Colocou-se diante d’Ele – respeito maiúsculo – e perguntou: “Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho da minha natureza?”
Lembrei-me deste conto, porque ontem estava regando violetas no canto claro do banheiro, cheia de ternura e calma. Então, pressenti um movimento. Olhei para baixo e pronto, num átimo, mandei vaso, caneco cheio d’água e elegância para o alto, dei um berro, pulei dois metros e levei dois minutos para respirar aliviada. Ela era mínima, mas era uma lagartixa. O fato foi mínimo, mas, senti o desconforto do escândalo e o ridículo da revolta sem causa.
Então, tal qual Clarice, eu me pergunto: Como assim? Eu estava feliz e fui provocada. Ridícula sou eu? Então não era motivo para um acerto de contas? Foi ridícula a ternura, a intervenção ou meu asco? Paro por aqui. Estou aprendendo a pensar o inteiro e concluo que não teve nada de ridículo, nem mesmo o pavor, sinal das ligações atávicas com as cavernas. Nem mesmo o desapontamento, sinal de sangue nas veias. Nem mesmo o perdão, sinal de que sei rir de mim. E ainda cito ela:
“Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes.”
Com licença que vou matar o mosquito que me picou, ver o pôr-do-sol e falar com Deus.
Ia seguindo nessa beleza de amar, quando quase pisa num rato morto. Acabou-se. Toda trêmula, confessa que a grosseria de Deus a insulta. E mais: “Minha decepção era tão inconsolável como só em criança fui decepcionada.”
Faz-me rir este conto de Clarice Lispector. Não, ele faz mais: causa-me uma cegueira momentânea, como acontece quando há o choque de um clarão muito grande após a escuridão. Fico tonta, tateando minhas convicções. Depois eu me questiono. Depois eu me calo. Depois eu me vejo. Depois eu me deixo.
Acontece isto com a gente o tempo todo: sucedem-se semanas de calmaria, a vida vai fluindo fácil como rio raso, então, do nada, vem a sombra, o susto, o desconforto ou o medo implacável. A gente tende a se sentir ridícula ou decepcionada diante de uma felicidade tão frágil. Mas não precisa ser assim. A vida inteira é que se torna grande. Inteira assim, com os pequenos – como tenho dito –, com as chatices, com os compromissos inadiáveis, com os riscos, com os ríspidos, com os sustos, com os choques, com os mornos, com os gelados, com os pontos sem nós e com os nós apertados... É a soma que insere sabedoria na história.
O conto de Clarice chama-se Perdoando Deus. Confesso que eu também já fui tentada a responsabilizar Deus por uma decepção e ficar brava com o fato. Só que, ao invés de perdoá-lo, eu pedia perdão. Clarice amou mais. Colocou-se diante d’Ele – respeito maiúsculo – e perguntou: “Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho da minha natureza?”
Lembrei-me deste conto, porque ontem estava regando violetas no canto claro do banheiro, cheia de ternura e calma. Então, pressenti um movimento. Olhei para baixo e pronto, num átimo, mandei vaso, caneco cheio d’água e elegância para o alto, dei um berro, pulei dois metros e levei dois minutos para respirar aliviada. Ela era mínima, mas era uma lagartixa. O fato foi mínimo, mas, senti o desconforto do escândalo e o ridículo da revolta sem causa.
Então, tal qual Clarice, eu me pergunto: Como assim? Eu estava feliz e fui provocada. Ridícula sou eu? Então não era motivo para um acerto de contas? Foi ridícula a ternura, a intervenção ou meu asco? Paro por aqui. Estou aprendendo a pensar o inteiro e concluo que não teve nada de ridículo, nem mesmo o pavor, sinal das ligações atávicas com as cavernas. Nem mesmo o desapontamento, sinal de sangue nas veias. Nem mesmo o perdão, sinal de que sei rir de mim. E ainda cito ela:
“Talvez eu tenha que aceitar antes de mais nada esta minha natureza que quer a morte de um rato. Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes.”
Com licença que vou matar o mosquito que me picou, ver o pôr-do-sol e falar com Deus.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Grandioso olhar pequeno
De vez em quando, volta-me uma ideia fixa:
O mínimo múltiplo comum de duas vidas pode dar um belo sentido à aritmética da existência. Mas os olhos são treinados para enxergar, sobretudo, o grande espetáculo e acabam não percebendo a emoção das pequenas cenas. Falo de detalhes que trazem felicidade, falo de coisinhas que transformam o dia. Hoje, eu olhei o pequeno e engrandeci a vida.
Olhar pequeno é perceber que o corpo não sente dor e que funciona perfeitamente mesmo quando a gente não se atenta. É ter tempo para andar lento e tomar um copo d’água depois da caminhada. Olhar pequeno é saber que matar a sede é uma dádiva.
Olhar pequeno é notar que a sementinha plantada há uma semana brotou e saber que é de uma pimenta forte. É ter certeza de que vai preparar com os futuros frutos a receita de Pimenta Tailandesa enviada por um amigo e que vai ter ótimos convidados para comungarem a gulodice.
Olhar pequeno é esquecer o macro e focar apenas no pé de jasmim salpicado de brancos delicados que a gente chama de flor. É aspirar o aroma de olhos fechados e ri porque alguém viu.
Olhar pequeno é sentir o cheiro da sombra de uma árvore antiga.
Olhar pequeno é ligar para a mãe e ouvi-la recomendar que você deve se cuidar. É não explicar que já se cuida, só para voltar a sentir o sentimento mais antigo de que tem notícia. É fazer silêncio para a grandeza disso.
Olhar pequeno é ouvir uma música que já sabe de cor, mas, desta vez, prestar atenção na letra, porque veio como o carinho de uma amiga. Eu ouvi ontem e dizia: “Eu quero aprender os mistérios do mundo pra te ensinar...” Eu quero, mesmo que o mistério seja pequeno.
Olhar pequeno é receber palavras de amor no celular e essas palavras fazerem chorar, porque vem de uma pessoa tão especial e querida quanto uma filha. É receber um telefonema da Alemanha e ser a irmã perguntando: “Passou a raiva?” É dar boas gargalhadas e, ao desligar, viajar num tempo de ternura – que não é passado nem futuro.
Olhar pequeno é saber ler nas entrelinhas do comentário de uma amiga o que não veio escrito. É gostar do que lê.
Olhar pequeno é estar com alguém que te pergunta sempre: “Já disse o tanto que eu te amo hoje?” É responder que não, só para ouvir de novo.
Olhar pequeno é ter certeza de que chá relaxa, que floral faz bem pra alma, que quiromantes mentem de verdade e que o horóscopo está certo – se a previsão for boa. É jogar I-ching e ler todo o Hexagrama 13, mas só fixar a frase: "É propício atravessar a grande água". É jurar que entendeu tudo e que esta é a sua praia. Foi o que eu fiz agora. Quer jogar também? Clique aqui. Mas volte logo. Tenho algo importante pra dizer:
A grandeza da vida não se faz apenas das maiores conquistas.
O mínimo múltiplo comum de duas vidas pode dar um belo sentido à aritmética da existência. Mas os olhos são treinados para enxergar, sobretudo, o grande espetáculo e acabam não percebendo a emoção das pequenas cenas. Falo de detalhes que trazem felicidade, falo de coisinhas que transformam o dia. Hoje, eu olhei o pequeno e engrandeci a vida.
Olhar pequeno é perceber que o corpo não sente dor e que funciona perfeitamente mesmo quando a gente não se atenta. É ter tempo para andar lento e tomar um copo d’água depois da caminhada. Olhar pequeno é saber que matar a sede é uma dádiva.
Olhar pequeno é notar que a sementinha plantada há uma semana brotou e saber que é de uma pimenta forte. É ter certeza de que vai preparar com os futuros frutos a receita de Pimenta Tailandesa enviada por um amigo e que vai ter ótimos convidados para comungarem a gulodice.
Olhar pequeno é esquecer o macro e focar apenas no pé de jasmim salpicado de brancos delicados que a gente chama de flor. É aspirar o aroma de olhos fechados e ri porque alguém viu.
Olhar pequeno é sentir o cheiro da sombra de uma árvore antiga.
Olhar pequeno é ligar para a mãe e ouvi-la recomendar que você deve se cuidar. É não explicar que já se cuida, só para voltar a sentir o sentimento mais antigo de que tem notícia. É fazer silêncio para a grandeza disso.
Olhar pequeno é ouvir uma música que já sabe de cor, mas, desta vez, prestar atenção na letra, porque veio como o carinho de uma amiga. Eu ouvi ontem e dizia: “Eu quero aprender os mistérios do mundo pra te ensinar...” Eu quero, mesmo que o mistério seja pequeno.
Olhar pequeno é receber palavras de amor no celular e essas palavras fazerem chorar, porque vem de uma pessoa tão especial e querida quanto uma filha. É receber um telefonema da Alemanha e ser a irmã perguntando: “Passou a raiva?” É dar boas gargalhadas e, ao desligar, viajar num tempo de ternura – que não é passado nem futuro.
Olhar pequeno é saber ler nas entrelinhas do comentário de uma amiga o que não veio escrito. É gostar do que lê.
Olhar pequeno é estar com alguém que te pergunta sempre: “Já disse o tanto que eu te amo hoje?” É responder que não, só para ouvir de novo.
Olhar pequeno é ter certeza de que chá relaxa, que floral faz bem pra alma, que quiromantes mentem de verdade e que o horóscopo está certo – se a previsão for boa. É jogar I-ching e ler todo o Hexagrama 13, mas só fixar a frase: "É propício atravessar a grande água". É jurar que entendeu tudo e que esta é a sua praia. Foi o que eu fiz agora. Quer jogar também? Clique aqui. Mas volte logo. Tenho algo importante pra dizer:
Olhar pequeno é abrir os olhos e enxergar a vida grande.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Quem carrega minha raiva?
Recebi um e-mail e o li antes de sair de casa. Dizia:
As palavras cairam como temporal em solo seco. As boas intenções vieram-me como uma enxurrada. Só me pergunto se algum dia eu aprendo que chuva forte não irriga nada, apenas arrasta e arrasa. Para mudar, é preciso que as palavras caiam como chuva leve. Mas eu me esqueço disso. Quando percebo, estou bebendo lições em grandes goles, com a avidez de quem quer fazer a vida dar certo. E eu quero mais: quero fazer bonito.
Mas fiz feio. Saindo de casa, percebi uma raiva encolhida num canto e quis saber: “Por que estou me sentindo assim?” Vieram-me possíveis explicações: TPM, cansaço, assunto mal resolvido... Não era nada disso. Então, conclui que o sentimento era apenas uma sombra imitando fantasma.
Estava enganada. Após uma pergunta, respondi com um berro, depois outro, outro... Não conseguia me controlar e pensei: “Meu Deus, o que está acontecendo comigo?” Eu queria retroagir, queria transformar o imperfeito em mais que perfeito, queria apagar o "eu errava" e escrever "eu errara". Esforço inútil. Então, aquele que andava comigo, percebendo que o presente não era seu, calou-se e me devolveu a raiva. Tive que carregá-la.
Segui pesada e muda de raiva. De repente, num insight, percebi que ficar calada era a melhor arma. Após uma hora, o silêncio fez sua obra. Descobri que a vontade de ser perfeita era a causa. Faz algum sentido? Para mim fez. Eu quis ser a filha perfeita, a profissional perfeita, a namorada perfeita e, porque isso é impossível, errei. Quanto mais eu errava, maior minha raiva. Ainda bem que, quando se enxerga, resolver fica mais fácil.
Cheguei em casa e tomei um banho com sabonete de mel. Eu queria ficar doce? Ri que sim. Deixei-me perfumadamente imperfeita.
Depois, tomei um chá de verbena, maçã e laranja da marca Tealosophy, que a minha amiga Silvana trouxe de Buenos Aires para mim. Atentei-me para o nome do chá: Calm of silence. Mera coincidência? Só sei que o chá fez o milagre prometido: deixou-me mais calma.
Hoje, repeti a dose e descobri que Ines Berton, a proprietária da loja de chás, lançou um CD com músicas para relaxar. Entre pequenos goles e alguns acordes, delicio-me com a certeza de que erros são perfeitamente suportáveis.
Quer saber? Perfeição é o inferno e a raiva, o diabo que a carregue.
– Se alguém chega até você com um presente
e você não o aceita,
a quem pertence o presente? – Perguntou o Samurai.
e você não o aceita,
a quem pertence o presente? – Perguntou o Samurai.
– A quem tentou entregá-lo – respondeu o discípulo.
– O mesmo vale para a inveja, a raiva
e os insultos – disse o mestre.
Quando não são aceitos,
continuam pertencendo a quem os carrega...
e os insultos – disse o mestre.
Quando não são aceitos,
continuam pertencendo a quem os carrega...
As palavras cairam como temporal em solo seco. As boas intenções vieram-me como uma enxurrada. Só me pergunto se algum dia eu aprendo que chuva forte não irriga nada, apenas arrasta e arrasa. Para mudar, é preciso que as palavras caiam como chuva leve. Mas eu me esqueço disso. Quando percebo, estou bebendo lições em grandes goles, com a avidez de quem quer fazer a vida dar certo. E eu quero mais: quero fazer bonito.
Mas fiz feio. Saindo de casa, percebi uma raiva encolhida num canto e quis saber: “Por que estou me sentindo assim?” Vieram-me possíveis explicações: TPM, cansaço, assunto mal resolvido... Não era nada disso. Então, conclui que o sentimento era apenas uma sombra imitando fantasma.
Estava enganada. Após uma pergunta, respondi com um berro, depois outro, outro... Não conseguia me controlar e pensei: “Meu Deus, o que está acontecendo comigo?” Eu queria retroagir, queria transformar o imperfeito em mais que perfeito, queria apagar o "eu errava" e escrever "eu errara". Esforço inútil. Então, aquele que andava comigo, percebendo que o presente não era seu, calou-se e me devolveu a raiva. Tive que carregá-la.
Segui pesada e muda de raiva. De repente, num insight, percebi que ficar calada era a melhor arma. Após uma hora, o silêncio fez sua obra. Descobri que a vontade de ser perfeita era a causa. Faz algum sentido? Para mim fez. Eu quis ser a filha perfeita, a profissional perfeita, a namorada perfeita e, porque isso é impossível, errei. Quanto mais eu errava, maior minha raiva. Ainda bem que, quando se enxerga, resolver fica mais fácil.
Cheguei em casa e tomei um banho com sabonete de mel. Eu queria ficar doce? Ri que sim. Deixei-me perfumadamente imperfeita.
Depois, tomei um chá de verbena, maçã e laranja da marca Tealosophy, que a minha amiga Silvana trouxe de Buenos Aires para mim. Atentei-me para o nome do chá: Calm of silence. Mera coincidência? Só sei que o chá fez o milagre prometido: deixou-me mais calma.
Hoje, repeti a dose e descobri que Ines Berton, a proprietária da loja de chás, lançou um CD com músicas para relaxar. Entre pequenos goles e alguns acordes, delicio-me com a certeza de que erros são perfeitamente suportáveis.
Quer saber? Perfeição é o inferno e a raiva, o diabo que a carregue.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
O abraço que faltou
A tristeza foi sem tamanho e me pegou como um soco no estômago. Eu estava ali, circulando pela casa, concentrada na pequenez gostosa de afazeres que pouco importam, como molhar uma planta já úmida, limpar a poeira de um canto que não habito, jogar ervas secas na água quente e ficar ali, admirando o chá tomar cor. Na verdade, eu apenas adiava a hora do trabalho, buscava inspiração nesse nada. E estava feliz com tanto bem-estar sem causa.
Então, fui trabalhar. Primeiro, uma olhada nos e-mails, procedimento inevitável. Então, uma mensagem me levou a um blog e este a outro e outro. É como andar por ruas desconhecidas de uma grande cidade, a gente vai seguindo encantada, descuidada, olhando detalhes, não se concentrando em nada... Só que a grande cidade, aqui, é o mundo. Então eu vi. Vi com estes olhos de choro fácil o que evitei todos esses dias. Vi com o espanto que nocauteia os desavisados o que sempre evito para não sofrer mais do que o suportável. Vi a menina de olhos incrédulos me encarando do outro lado da tela. Eu vi a flor que deveria estar presa nos cabelos cair sobre a testa em desenfeite. Vi a sutileza em meio a miséria. Vi a beleza maculada pelo trágico. Vi a boca pequena entreaberta como se nos lábios calasse um pedido ou uma prece. Eu vi a foto das meninas e, na sequência, mais umas vinte imagens do Haiti.
Porque eu não parei de olhar? Porque eu devia isso às meninas. Olhar o que elas viram era a minha maneira de remediar a culpa. Não, a culpa não era do mundo, era de Deus. Eu tive vergonha por Deus. Por Deus, eu olhei o corpo esquecido na avenida. Como filha de Deus, eu olhei cada destroço, cada rosto, cada morto, como se o meu olhar fosse a piedade que não houve. Deus teve piedade pelos meus olhos.
Como é que eu, logo eu, que sei de mim, fui olhar aquelas fotos? Eu não posso olhar a vida tão de perto. A dor do outro dói demais em mim. E doeu o profundamente triste.
Num último olhar carinhoso para aquelas meninas, percebi o motivo maior da minha tristeza: foi saber que o fotógrafo, feita a foto, não as abraçou. Talvez ele precise mesmo do distanciamento para dar conta do seu trabalho. Então, meninas, recebam agora o abraço que faltou.
Então, fui trabalhar. Primeiro, uma olhada nos e-mails, procedimento inevitável. Então, uma mensagem me levou a um blog e este a outro e outro. É como andar por ruas desconhecidas de uma grande cidade, a gente vai seguindo encantada, descuidada, olhando detalhes, não se concentrando em nada... Só que a grande cidade, aqui, é o mundo. Então eu vi. Vi com estes olhos de choro fácil o que evitei todos esses dias. Vi com o espanto que nocauteia os desavisados o que sempre evito para não sofrer mais do que o suportável. Vi a menina de olhos incrédulos me encarando do outro lado da tela. Eu vi a flor que deveria estar presa nos cabelos cair sobre a testa em desenfeite. Vi a sutileza em meio a miséria. Vi a beleza maculada pelo trágico. Vi a boca pequena entreaberta como se nos lábios calasse um pedido ou uma prece. Eu vi a foto das meninas e, na sequência, mais umas vinte imagens do Haiti.
Porque eu não parei de olhar? Porque eu devia isso às meninas. Olhar o que elas viram era a minha maneira de remediar a culpa. Não, a culpa não era do mundo, era de Deus. Eu tive vergonha por Deus. Por Deus, eu olhei o corpo esquecido na avenida. Como filha de Deus, eu olhei cada destroço, cada rosto, cada morto, como se o meu olhar fosse a piedade que não houve. Deus teve piedade pelos meus olhos.
Como é que eu, logo eu, que sei de mim, fui olhar aquelas fotos? Eu não posso olhar a vida tão de perto. A dor do outro dói demais em mim. E doeu o profundamente triste.
Num último olhar carinhoso para aquelas meninas, percebi o motivo maior da minha tristeza: foi saber que o fotógrafo, feita a foto, não as abraçou. Talvez ele precise mesmo do distanciamento para dar conta do seu trabalho. Então, meninas, recebam agora o abraço que faltou.
Moradores da favela de Cité Soleil – Porto Príncipe – HAITI – 22/01/2010. FOTO: JONNE RORIZ/AE
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Antes da viagem
Ontem, postei um texto sobre uma viagem muito especial realizada por Maristela. Hoje, deparei-me com o poema Ítaca, de Constantino Kavafis, e achei que traduz bem o que motiva qualquer viagem. Vale a pena ler o poema antes da minha história. Ela fará mais sentido.
ÍTACA
Se partires um dia rumo à ÍtacaFaz votos de que o caminho seja longo
repleto de aventuras, repleto de saber
(...)
Tem todo o tempo ítaca na mente.
Estás predestinado a ali chegar.
Mas, não apresses a viagem nunca.
Melhor muitos anos levares de jornada
E fundeares na ilha velho enfim.
Rico de quanto ganhaste no caminho
Sem esperar riquezas que Ítaca te desse.
Uma bela viagem deu-te Ítaca.
Sem ela não te punhas a caminho.
Mais do que isso não lhe cumpre dar-te.
Ítaca não te iludiu
Se a achas pobre.
Tu te tornaste sábio, um homem de experiência.
E, agora, sabes o que significam Ítacas.
Constantino Kabvafis
in: O Quarteto de Alexandria
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Oriente-se!
Para onde foi essa moça? O que ela foi olhar? A que ponto quis chegar? Que lugar tão distante foi esse que exigiu 40 horas de viagem e mais alguns dias para se acostumar?
Ela foi para a Índia. Com nove brasileiros, hospedou-se no Ashran do Aurobindo, Nova Delhi. Lá, permaneceu por dois dias, contribuiu nas tarefas e teve a oportunidade de visitar o Taj Mahal. Em meio ao exótico, ao belo e ao trânsito caótico, ela teve um olhar de deslumbramento e outro assustado. Era o novo somado ao impactante. Mas ainda não era esse o lugar.
Por isso, ela foi mais adiante. Encarou 27 horas de viagem de trem que incluiram, mesmo na primeira classe, baratas, camundongos e pânico. Era isso que ela buscava?
Não, Maristela, a amiga que compartilhou comigo – agora, conosco – sua história, queria algo mais. Queria concretizar o sonho de ir a Rikia visitar o Ashran onde morava o seu mestre Yogue, queria encontros que a mente ocidental não ousava dimensionar, queria descobertas. Para isso seguiu viagem.
Prosseguiu até Rikia e a cidade estava em festa: o Yoga Poornina, que é o culto à Consciência Cósmica – Shiva. Na festa, todos doavam e todos recebiam. Presentes? Isso e algo mais. É inevitável não reavaliar os pesos da balança da vida, quando se está diante do extraordinário. E ela esteve.
Viu mais de 3.000 estrangeiros, misturando-se a mais de 30.000 indianos em cinco dias de rituais. Viu colorido intenso e devoção profunda. Ouviu, as pessoas entoando antigos hinos Védicos Rudri e Mahamrityunjaya, uma técnica centenária. Cantou também.
No ashram onde ficou hospedada, acordava às 4 horas da manhã, trabalhava até às 20:00 horas, obedecia e nunca questionava. Na cozinha, picou legumes e verduras durante toda a manhã e, em meio ao caos, aprendeu que tudo é possível, quando se tem um objetivo e boa dose de disciplina.
Foi além. Viu pessoas vivenciando a espiritualidade de maneira tão concreta, que entendeu que alta vibração e energia não são algo abstrato. É possível explicar de outra forma a grandeza de um encontro com Satyananda, o mestre? Ela sabe que não.
E fez-se silêncio, porque, depois de Rikia, partiu para Bihar School of Yoga, a primeira universidade de Yoga reconhecida no mundo, onde permaneceu por 10 dias. Lá, viu sanyasis transitando com suas roupas laranja e cabeças raspadas, acordou às 4:00 horas da manhã, meditou, trabalhou na cozinha, assistiu a aulas de Yoga, entrou na fila para o banho gelado de torneira ou balde, participou do Yoga Nidra (técnica de relaxamento) e, principalmente, calou-se, permanecendo em Mouna, o silêncio total.
Foi calada que recebeu a notícia da passagem do mestre Satyananda. A partir daí, cantou. Cantou mantras por horas, ao longo da tarde e da noite, revesando com outras pessoas. E conta que o mestre avisou aos mais próximos sobre sua passagem, cantou o mantra OM em posição de Lótus e assim partiu. Maristela viu fotos do mestre nos jornais indianos, naquela posição e enxergou a diferença cultural. Apesar da tristeza, não se ouvia lamentos, o que houve foi celebração da sua obra.
Na passagem de Maristela pela Índia, houve canto, mas reinou o silêncio. Quem ficaria quase 24 horas por dia, durante 10 dias, em silêncio total? Ela ficou. No final, descobriu que o silêncio é o primeiro passo para o mergulho interno. No mar da mente sem palavras o eu se perde para voltar a se encontrar. E a minha amiga disse: “Não virei santa, continuo a mesma. Mas veio houve um amadurecimento.”
Encontros dessa dimensão vão mais longe do que imaginamos. Maristela perdeu o pai poucos dias antes da viagem e, após a experiência na Índia, compreendeu um pouco mais a morte. “A morte passa a ser vida. Outra forma de vida. Hoje, comunico com meu pai em outra dimensão” – Diz. Era aqui que ela queria chegar?
Não. Por isso, de Bihar, partiu para o Ashram Aurobindo Hymalaia onde ficou por três dias. Lá, cumpriu as mesmas etapas da universidade, mas tinha liberdade e deu valor: “Confesso que tudo foi feito com mais prazer. Gosto da liberdade de escolha.” Ela afirma, para depois dar lugar a uma pergunta: "Será que conseguiria cumprir todas as tarefas, se não fosse a enorme disciplina da experiência anterior?"
Foi com espírito livre e grande alegria que Maristela seguiu para a última etapa da viagem: o turismo. Então, viajou pela Índia de carro, de trem, de avião. Presenciou cenas que a gente só viu nos documentários da TV: trânsito louco, desapego pelo carro, bagunça em larga escala que a levou a afirmar: “O psicotécnico indiano é para medir a intuição.” Somam-se a isso, vacas soltas, elefantes, bicicletas, dromedários, motos, tuk-tuks, gente, cor, gente, macacos por todo lado, mulheres de sari, pobres, ricos, mais cor, caminhões com frases do tipo: “Por favor, buzine”... A India é isso: um mundo impactante, espiritualizado e mais colorido.
Agora, eu respondo: Para onde foi essa moça? Ao encontro de si mesma. O que ela foi olhar? O mundo que carrega. A que ponto quis chegar? Do lado de dentro. Que lugar tão distante foi esse que exigiu 40 horas de viagem e mais alguns dias para se acostumar? A consciência.
Se também quer ir longe, esta é a dica: oriente-se!
Curiosidades da viagem
Ou: Maristela quebra o silêncio
“Entrei numa loja e enquanto o vendedor me atendia, passava uma vaca suja. Imediatamente ele parou, pegou um vidro de spray com água, um pano e comecou a limpar a vaca. Naquele momento, eu, a cliente, não era o mais importante.Ou: Maristela quebra o silêncio
Atravessar pontes estreitas, a pé, cercada por macacos, foi assustador. Precisei da ajuda dos amigos para enfrentar o medo. Levei um tempo para me sentir salva física e psicologicamente.
Jaipur, a cidade onde foi gravada Caminho das Índias é belissíma. Os monumentos desafiam a nossa capacidade de absorver: convivem, lado a lado, a grandiosidade arquitetônica e a riqueza de pequenos detalhes.
A comida é inacreditável. Passo a achar a culinária indiana uma das melhores do mundo.
Fazer compras na Índia é um capítulo à parte. Você pode ser arrastada para dentro das lojas. Depois de um tempo, é desesperador. Quando veem turistas, quase disputam a tapa. Às vezes, largam a loja e ficam te seguindo. E há vendedores ambulantes por toda parte.
Junte todos os ingredientes destas experiências e acho que chegarão à mesma conclusão: a Índia é uma experiência múltipla e singular!"
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Suave assim
Comecei a segunda-feira assim, devagar, mas inspirada. Tudo sempre dá certo quando respeito o meu ritmo. Então, ouço uma canção, passeio pela casa como quem não quer nada, saboreio um pedaço de manga e encaro a contabilidade chata. No final, vivencio a satisfação de dar conta.
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Eu vi a vida
Ia seguindo para uma caminhada em volta da Barragem Santa Lúcia, quando vi o homem. Parei para ver. Ele e outros mais distantes cortavam o capim que tomava conta de um terreno público no começo da Av. Arthur Bernardes. Esse homem estava muito bem protegido com botas, caneleiras de couro, capacete, protetor para o rosto e macacão de brim. Fui acometida por uma onda de ternura: “Que bom que alguém cuidou deste ser”. Então, como se ouvisse o meu pensamento, ele desligou o cortador, levantou o protetor do rosto e enxugou o suor. Vi o seu braço subir, os músculos movendo-se, a pele negra brilhando. O gesto deu-lhe uma dignidade comovente. Senti orgulho pelo trabalho daquele homem. A força dos seus braços estava sendo fundamental para deixar um pequeno pedaço de mundo mais bonito. Sorri em agradecimento. Ele não viu, mas deve ter sentido, porque voltou a cortar o capim numa postura soberana. Segui com a alegria de quem viu a vida de verdade.
No final da ladeira, senti o vento no rosto e respirei fundo para absorver a beleza. Definitivamente, eu estava uma Iêda melhor. Atravessei a rua e comecei a girar em passos largos em torno da lagoa. Então, vi uma garça branquíssima em voo rasante sobre a água barrenta. Belo contraste. No meu i-pod ouvi Tom Jobim declarar: “Minha bem-amada, estrela pura aparecida, eu te amo e te proclamo o meu amor, o meu amor.” A palavra amor expandiu-se no meu peito e tomou conta do ambiente.
As árvores estavam maiores e eu ainda não havia reparado. Que verde! Como eu pude passar por ali todos esses dias sem notar a diversidade de tons e a variedade das formas? Arvorezinha arredondada, árvore comprida, árvores enfeitadas. No meu giro, eu vi as árvores.
As músicas se sucediam e eu assistia a gente que passava. Cada pessoa com um passo, um balanço, uma história. O enfermeiro parou e enxugou a baba que descia pelo queixo do velho na cadeira de rodas. O velho não abaixou o rosto ao me ver passar. Ele apenas babava, apenas resistia a uma fatalidade. Fiquei mais humana pela falta de vergonha daquele homem. E Marisa Monte pedia: “Speak low, when you speak love. Our summer day withers away, too soon, too soon..." O universo conspira.
Diminui o passo, lembrando da tendinite patelar, mas quando Gal Costa gritou: “Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim...” eu quase corri. A cada batida, eu abria e fechava as mãos, sentia a pulsação, meu coração, a emoção da palavra, o ritmo da música e acelerava o passo.
Eu segui e vi uma dona limpinha. Ela ia para o Morro do Papagaio e carregava uma sacola de loja, muito bem conservada, que servia de bolsa. Vestia uma blusa estampada com flores azuis sobre fundo claro e uma calça da cor de beterraba. Figurino insólito e lindo. O cabelo era branco, o passo lento, os olhos aguados, como se as lágrimas fossem irromper a qualquer instante. Mas ela não chorava. Ela é forte. Vi que seus ombros que não se curvaram para o tempo. Então, a minha simpatia se liquifez em duas lágrimas.
Cinquenta minutos se passaram. Eu queria mais uma volta. Algo acontecia, era preciso sustentar a mágica. Alonguei os músculos, aliviei o esforço e parti para outra. Aí, busquei no i-pod uma música que combinasse com a suavidade do momento. Pulei umas cinco e tive um insight: “Estou alterando o futuro”. Na descida, não ouviria mais Bee Gees com o lamento de “How Can You Mend a Broken Heart”. Mas, talvez, não tenha sido por acaso. Falar de coração partido não tinha nada a ver com meu dia. Eu estava inteira.
A primeira música suave que achei foi Wild Child, de Enya. Parei por aí. Tinha de ser:
Eu não andava mais, flutuava. Fechava os olhos e respirava, me desfazendo em deslumbramento. Ao final da volta, olhei para o grande círculo onde eu havia girado e imaginei que ninguém ali teria um dia ruim, só porque eu queria. Imaginei que o homem que dormia no banco, tão sem rumo, teria um lugar para ir. Imaginei que esse lugar teria um coração e, se não tivesse, que ele se sentisse tocado pelo meu. E chorei pelo desconhecido alvo do meu afeto.
Ao subir a ladeira da minha rua, ouvia Synéad O’Connor cantando Don't cry for me Argentina:
Acontece que tomei uma xícara de chá de alecrim ao sair de casa. E vi a vida com outros olhos. Ainda tem gente que diz que um simples chá não muda nada.
No final da ladeira, senti o vento no rosto e respirei fundo para absorver a beleza. Definitivamente, eu estava uma Iêda melhor. Atravessei a rua e comecei a girar em passos largos em torno da lagoa. Então, vi uma garça branquíssima em voo rasante sobre a água barrenta. Belo contraste. No meu i-pod ouvi Tom Jobim declarar: “Minha bem-amada, estrela pura aparecida, eu te amo e te proclamo o meu amor, o meu amor.” A palavra amor expandiu-se no meu peito e tomou conta do ambiente.
As árvores estavam maiores e eu ainda não havia reparado. Que verde! Como eu pude passar por ali todos esses dias sem notar a diversidade de tons e a variedade das formas? Arvorezinha arredondada, árvore comprida, árvores enfeitadas. No meu giro, eu vi as árvores.
As músicas se sucediam e eu assistia a gente que passava. Cada pessoa com um passo, um balanço, uma história. O enfermeiro parou e enxugou a baba que descia pelo queixo do velho na cadeira de rodas. O velho não abaixou o rosto ao me ver passar. Ele apenas babava, apenas resistia a uma fatalidade. Fiquei mais humana pela falta de vergonha daquele homem. E Marisa Monte pedia: “Speak low, when you speak love. Our summer day withers away, too soon, too soon..." O universo conspira.
Diminui o passo, lembrando da tendinite patelar, mas quando Gal Costa gritou: “Brasil, mostra a tua cara, quero ver quem paga pra gente ficar assim...” eu quase corri. A cada batida, eu abria e fechava as mãos, sentia a pulsação, meu coração, a emoção da palavra, o ritmo da música e acelerava o passo.
Eu segui e vi uma dona limpinha. Ela ia para o Morro do Papagaio e carregava uma sacola de loja, muito bem conservada, que servia de bolsa. Vestia uma blusa estampada com flores azuis sobre fundo claro e uma calça da cor de beterraba. Figurino insólito e lindo. O cabelo era branco, o passo lento, os olhos aguados, como se as lágrimas fossem irromper a qualquer instante. Mas ela não chorava. Ela é forte. Vi que seus ombros que não se curvaram para o tempo. Então, a minha simpatia se liquifez em duas lágrimas.
Cinquenta minutos se passaram. Eu queria mais uma volta. Algo acontecia, era preciso sustentar a mágica. Alonguei os músculos, aliviei o esforço e parti para outra. Aí, busquei no i-pod uma música que combinasse com a suavidade do momento. Pulei umas cinco e tive um insight: “Estou alterando o futuro”. Na descida, não ouviria mais Bee Gees com o lamento de “How Can You Mend a Broken Heart”. Mas, talvez, não tenha sido por acaso. Falar de coração partido não tinha nada a ver com meu dia. Eu estava inteira.
A primeira música suave que achei foi Wild Child, de Enya. Parei por aí. Tinha de ser:
Ever close your eyes
Ever stop and listen
Ever feel alive
And you’ve nothing missing
You don’t need a reason
Let the day go on and on.
Ever stop and listen
Ever feel alive
And you’ve nothing missing
You don’t need a reason
Let the day go on and on.
Feche seus olhos,
Pare e escute,
Sinta-se vivo
E você não estará deixando escapar nada.
Você não precisa de uma razão,
Deixe o dia prosseguir...*
(*) Não fui eu quem traduziu, tá? Reclamações com o mestre Google.Pare e escute,
Sinta-se vivo
E você não estará deixando escapar nada.
Você não precisa de uma razão,
Deixe o dia prosseguir...*
Eu não andava mais, flutuava. Fechava os olhos e respirava, me desfazendo em deslumbramento. Ao final da volta, olhei para o grande círculo onde eu havia girado e imaginei que ninguém ali teria um dia ruim, só porque eu queria. Imaginei que o homem que dormia no banco, tão sem rumo, teria um lugar para ir. Imaginei que esse lugar teria um coração e, se não tivesse, que ele se sentisse tocado pelo meu. E chorei pelo desconhecido alvo do meu afeto.
Ao subir a ladeira da minha rua, ouvia Synéad O’Connor cantando Don't cry for me Argentina:
“They are illusions
They are not the solutions they promised to be
The answer was here all the time
I love you and hope you love me..."
Foi quando vi Rogério descendo em minha direção. Ia abrir os braços e correr ao seu encontro, mas fiquei com vergonha da cena novelesca e apenas levantei a mão direita num aceno amoroso. They are not the solutions they promised to be
The answer was here all the time
I love you and hope you love me..."
Acontece que tomei uma xícara de chá de alecrim ao sair de casa. E vi a vida com outros olhos. Ainda tem gente que diz que um simples chá não muda nada.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Cultivo esperança
Primeiro, foi simpatia pelo aroma. Peguei um galhinho no canteiro, levei ao nariz e aspirei com os olhos fechados. A sensação foi boa. Depois, pensei em batatas na manteiga com alecrim picadinho. Imediatamente, quis uma mudinha. Plantei e deu certo. Meses depois, na floreira da minha sala, um pé de alecrim me alegrava. Porque não tem alegria mais singela do que ver uma planta crescer.
Durante anos, ousei alecrim. Inclui no tempero de carne de porco, aves, peixes e batatas sem a menor cerimônia. E foi suportando comidas muito perfumadas que eu descobri a agradável suavidade de uma pitada. Hoje sei a medida certa.
Após os experimentos culinários, o alecrim passou a ser usado para outros fins. Virou remédio para tosse, bastando fazer infusões e tomar o chá. Virou erva purificadora, fervida em um litro d'água e jogada do pescoço para baixo no final do banho. Virou eliminador de impurezas, quando usado para varrer a casa. Usei, ousei e me orgulhei do meu pé de alecrim em muitas circuntâncias.
Um dia, li que o alecrim é um excelente defumador de ambientes e não pensei duas vezes, arranquei dois ou três galhos e queimei, circulando pela casa, enquanto rezava o salmo 66, porque ouvi que era um salmo de proteção. Sou assim, misturo informações e invento rituais para ficar bem. No que diz respeito ao defumador, declaro que a casa fica com um cheiro estranho, não é fumaça fedida nem aroma delicado. É alecrim queimado mesmo. Isso significa que, ao andar pela casa, fui espalhando bons fluidos e cinzas. Não sei dizer se o ritual funcionou. Às vezes, penso que a falta de sinais é bom sinal. É como se o simples fato de nada dar errado nos dias subsquentes significasse que a limpeza deu certo. Valorizo a vida sem sobressaltos.
Mas nenhuma das experiências com o alecrim foi tão poderosa quanto colocar um galhinho na água e tomar ao longo do dia. A receita foi dada por Graça. A indicação foi: "o alecrim nos sintoniza com a alegria, com a energia da alma." E o aval era da medicina chinesa. Nada de místico ou mágico, apenas conhecimento. Ainda assim, eu pensava: "Se tudo for uma viagem, ainda resta a beleza do galhinho na jarra." Definitivamente, a estética me inspira.
Há dois anos, as floreiras do prédio foram retiradas por motivo de segurança e lá se foi meu alecrim. Claro que comprei muitos raminhos no sacolão da esquina, mas sempre achei um desperdiço usar apenas um terço do molho que trazia para casa.
Agora, uma nova muda me chegou embalada para presente e resistiu bravamente aos dias em que me ausentei. Volto a acompanhar o crescimento, volto a pensar em banhos perfumados, fumaça se espalhando pela casa, batatas aromatizadas, pernil tentador, chá calmante e em água mágica. É isto: eu cultivo a esperança de dias melhores num vasinho posto sob a janela.
Obrigada, Graça, pelo presente! E que nome mais adequado, hein?
DIZEM QUE...
- O chá é indicado em casos de esgotamento cerebral, excesso de trabalho e depressão ligeira.
- Pode ser usado na falta de apetite e nos distúrbios intestinais, má digestão e azia.
- O alecrim é tido como um "costurador do plexo solar", pois restitui rapidamente a energia perdida, dá mais estrutura de trabalho aos que lidam muito com o mental.
- Pode ser usado nos casos de tosses, asma, coqueluche e gripe.
- Externamente é indicada para dores reumáticas, contusões, entorses, articulações doloridas, aftas.
- É notável na captura de radicais livres.
- É indicado para desconfiados, nos que não acreditam em si mesmos, que não têm coragem de se lançar em novos projetos. É a erva da coragem. - O escalda-pés de alecrim tira as energias negativas acumuladas durante o dia.
Durante anos, ousei alecrim. Inclui no tempero de carne de porco, aves, peixes e batatas sem a menor cerimônia. E foi suportando comidas muito perfumadas que eu descobri a agradável suavidade de uma pitada. Hoje sei a medida certa.
Após os experimentos culinários, o alecrim passou a ser usado para outros fins. Virou remédio para tosse, bastando fazer infusões e tomar o chá. Virou erva purificadora, fervida em um litro d'água e jogada do pescoço para baixo no final do banho. Virou eliminador de impurezas, quando usado para varrer a casa. Usei, ousei e me orgulhei do meu pé de alecrim em muitas circuntâncias.
Um dia, li que o alecrim é um excelente defumador de ambientes e não pensei duas vezes, arranquei dois ou três galhos e queimei, circulando pela casa, enquanto rezava o salmo 66, porque ouvi que era um salmo de proteção. Sou assim, misturo informações e invento rituais para ficar bem. No que diz respeito ao defumador, declaro que a casa fica com um cheiro estranho, não é fumaça fedida nem aroma delicado. É alecrim queimado mesmo. Isso significa que, ao andar pela casa, fui espalhando bons fluidos e cinzas. Não sei dizer se o ritual funcionou. Às vezes, penso que a falta de sinais é bom sinal. É como se o simples fato de nada dar errado nos dias subsquentes significasse que a limpeza deu certo. Valorizo a vida sem sobressaltos.
Mas nenhuma das experiências com o alecrim foi tão poderosa quanto colocar um galhinho na água e tomar ao longo do dia. A receita foi dada por Graça. A indicação foi: "o alecrim nos sintoniza com a alegria, com a energia da alma." E o aval era da medicina chinesa. Nada de místico ou mágico, apenas conhecimento. Ainda assim, eu pensava: "Se tudo for uma viagem, ainda resta a beleza do galhinho na jarra." Definitivamente, a estética me inspira.
Há dois anos, as floreiras do prédio foram retiradas por motivo de segurança e lá se foi meu alecrim. Claro que comprei muitos raminhos no sacolão da esquina, mas sempre achei um desperdiço usar apenas um terço do molho que trazia para casa.
Agora, uma nova muda me chegou embalada para presente e resistiu bravamente aos dias em que me ausentei. Volto a acompanhar o crescimento, volto a pensar em banhos perfumados, fumaça se espalhando pela casa, batatas aromatizadas, pernil tentador, chá calmante e em água mágica. É isto: eu cultivo a esperança de dias melhores num vasinho posto sob a janela.
Obrigada, Graça, pelo presente! E que nome mais adequado, hein?
DIZEM QUE...
- O chá é indicado em casos de esgotamento cerebral, excesso de trabalho e depressão ligeira.
- Pode ser usado na falta de apetite e nos distúrbios intestinais, má digestão e azia.
- O alecrim é tido como um "costurador do plexo solar", pois restitui rapidamente a energia perdida, dá mais estrutura de trabalho aos que lidam muito com o mental.
- Pode ser usado nos casos de tosses, asma, coqueluche e gripe.
- Externamente é indicada para dores reumáticas, contusões, entorses, articulações doloridas, aftas.
- É notável na captura de radicais livres.
- É indicado para desconfiados, nos que não acreditam em si mesmos, que não têm coragem de se lançar em novos projetos. É a erva da coragem. - O escalda-pés de alecrim tira as energias negativas acumuladas durante o dia.
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